
A Câmara Municipal de Campo Grande realizou na noite de quarta-feira (18) a Sessão Solene de Outorga da Medalha Legislativa Mestre Goinha, em comemoração ao Dia do Samba. A solenidade reuniu nomes ligados à cultura popular da capital sul-mato-grossense para celebrar quem, ano após ano, ajuda a construir o Carnaval de Campo Grande,festa que vem ganhando força e reconhecimento crescentes nos últimos anos.
Durante a noite, as contribuições do samba para a cultura, o lazer, o turismo e a economia da cidade foram ressaltadas, assim como a necessidade de mais valorização e investimentos públicos na festa popular.
Os homenageados
Três nomes receberam a Medalha Mestre Goinha nesta edição, cada um com uma trajetória diferente de contribuição ao samba campo-grandense.
Teylor Fuchs Cardoso dos Santos é sociólogo, professor e pesquisador. Mestre em Estudos Culturais pela UFMS e doutorando em Sociologia pela UFGD, Teylor dedicou sua trajetória acadêmica a estudar as dimensões sociais, culturais e políticas do Carnaval. Publicou artigos, capítulos de livro e uma obra dedicada ao tema.
Seu trabalho mais recente, “Do Clube dos Fidalgos ao Cordão Valu: alegria e resistência ocupando a cidade”, resgata a história do Carnaval campo-grandense e sua função social e política na vida da cidade.
Mas Teylor faz questão de deixar claro que não é só pesquisador da festa; é também participante dela. “Eu sou entusiasta, um folião, um participante. Estudo, pesquiso, escrevo sobre a história do Carnaval de rua em Campo Grande”, disse ao receber a medalha. Na ocasião, o pesquisador aproveitou o microfone para ir além do agradecimento. “Além de homenagens, a Câmara precisa também aprovar leis, precisa lutar em defesa do carnaval e do direito à cidade, porque as pessoas têm direito de ocupar a cidade e de curtir o carnaval”, afirmou.
Carlos Miguel Salamene e Denio Oliveira Luz receberam a homenagem juntos, como integrantes do Valú Samba Trio. Carlos é violonista com 16 anos de estrada no grupo, tendo passado por outros conjuntos e atuado como músico freelancer ao longo da carreira. Denio é o percussionista do trio, com mais de 20 anos de música nas costas e passagem pelo Selando Samba antes de se firmar no Valú. Juntos, os dois sintetizam o samba que acontece de bar em bar, nos eventos particulares e nas ruas de Campo Grande, longe dos holofotes mas fundamental para manter o ritmo vivo na cidade.
“É uma gratidão imensa de vocês lembrarem sobre essa música, sobre esse trabalho que a gente faz na cidade, de bar em bar, nos trabalhos particulares. É um agradecimento imenso”, disse Edir Valu, liderança do grupo que foi homenageado pelo vereador Beto Avelar, mas que fez questão de agradecer a Landmark pelo apoio aos seus colegas.
Para Landmark, a solenidade é um ato político tanto quanto cultural. Reconhecer quem constrói o Carnaval de Campo Grande é também reconhecer que a festa popular precisa de investimento, de política pública e de valorização permanente, não apenas em fevereiro.
“Homenagear essas pessoas é dizer que a cultura popular importa, que o samba importa e que Campo Grande precisa investir de verdade nessa festa que é do povo”, declarou o vereador.
Quem foi Mestre Goinha
A medalha leva o nome de Gregório Corrêa, o Mestre Goinha, personagem central da história do Carnaval campo-grandense. Foi ele quem trouxe a primeira escola de samba para Campo Grande, depois de uma temporada no Rio de Janeiro onde conheceu o universo das escolas cariocas e voltou para casa carregando esse sonho. Desse sonho nasceram a tradicional Acadêmicos do Samba e a LIENCA, à época chamada de União das Entidades Carnavalescas de Campo Grande. Mestre Goinha faleceu em 2010, mas segue presente na memória de todos que constroem a festa na cidade.



