Landmark cobra explicações da prefeitura sobre descontos do Banco Master no salário de servidores

Landmark anunciou requerimento durante a sessão desta quinta-feira (05). Foto: Pedro Roque
Landmark anunciou requerimento durante a sessão desta quinta-feira (05). Foto: Pedro Roque

O vereador Landmark Rios (PT) apresentou requerimento cobrando esclarecimentos da Prefeitura de Campo Grande, sobre possíveis riscos e irregularidades envolvendo descontos em folha de pagamento de servidores públicos vinculados ao Banco Master e instituições associadas.

Logo após tomar conhecimento das denúncias apresentadas pela Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais de Mato Grosso do Sul (Feserp/MS), o parlamentar protocolou pedidos formais solicitando informações sobre as providências administrativas adotadas para proteger os servidores.

“Nosso papel é proteger os servidores públicos. Diante das denúncias e da gravidade do que está sendo investigado, nós solicitamos informações oficiais, pedimos providências administrativas e cobramos transparência sobre os descontos feitos na folha de pagamento dos servidores, ativos, aposentados e pensionistas”, afirmou Landmark.

Além do requerimento, o vereador também convidou a presidente da Feserp/MS, Lilian Fernandes, para utilizar a tribuna da Câmara Municipal durante a sessão desta quinta-feira (05), a fim de apresentar detalhes da denúncia e alertar os parlamentares sobre os riscos enfrentados pelos servidores.

Denúncia aponta riscos nas consignações

Durante sua manifestação, Lilian explicou que a federação passou a investigar o tema após receber reclamações de servidores sobre descontos ligados ao chamado “Credcesta”, modalidade de crédito consignado vinculada ao Banco Master.

Segundo ela, os descontos mensais variam de acordo com o salário dos servidores, podendo chegar a valores entre R$ 105 e R$ 900 por mês, diretamente no contracheque.

“Estamos falando da proteção do salário dos servidores, que é um patrimônio sagrado. A federação representa cerca de 75 mil servidores municipais e estaduais e recebeu diversos relatos de trabalhadores que sequer conseguem acesso aos contratos ou contato com a instituição responsável pelos descontos”, afirmou.

De acordo com Lilian, a situação se agravou após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e o avanço das investigações sobre possíveis fraudes envolvendo a instituição.

“Os servidores pegavam uma quantia de dinheiro e depois o cartão nunca mais era utilizado. Em alguns casos, o cartão sequer chegou às mãos do servidor, mas o desconto continuava mês após mês. Isso gera uma dívida que parece não ter fim”, explicou.

A presidente da Feserp afirmou ainda que muitos servidores enfrentam dificuldades para obter informações sobre seus contratos ou negociar as dívidas.

Segundo ela, há casos em que não existe telefone de atendimento, sede física na cidade ou canais claros de contato com a empresa responsável pelos descontos.

“Quando o desconto acontece diretamente na folha de pagamento, o servidor fica refém. Ele não consegue negociar, não consegue entender quanto deve e nem sequer tem acesso ao contrato que supostamente assinou”, disse.

A federação também aponta que a instituição responsável pelas consignações poderia não atender requisitos previstos na legislação municipal, como a exigência de sede física na cidade e regularidade documental para operar no sistema de consignações.

Foto: Pedro Roque

Ação judicial pede suspensão dos descontos

Diante das denúncias, a Feserp ingressou com ação civil pública com pedido de liminar para suspender imediatamente os descontos em folha vinculados ao Banco Master e empresas do mesmo conglomerado.

A ação foi protocolada na Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande e tem como alvos a Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado, responsáveis pela gestão das folhas de pagamento dos servidores.

No processo, a federação pede: suspensão imediata dos descontos consignados ligados ao Banco Master; interrupção dos repasses à instituição financeira; auditoria completa nos contratos firmados com servidores; e verificação da legalidade das taxas, juros e mecanismos de amortização das dívidas.

Parlamentar reforça necessidade de proteção aos servidores

Para Landmark Rios, a situação exige atenção imediata das autoridades públicas. Segundo o vereador, a Câmara deve acompanhar o caso e garantir que os servidores não sejam prejudicados por eventuais irregularidades envolvendo instituições financeiras.

“O que nós estamos pedindo é transparência e responsabilidade. Os servidores precisam saber exatamente o que está acontecendo com os descontos feitos em seus contracheques e quais medidas estão sendo tomadas para garantir segurança jurídica e financeira”, afirmou.

Ele destacou ainda que a presença da Feserp na tribuna da Câmara é uma oportunidade para ampliar o debate e buscar soluções institucionais.

“Essa discussão precisa acontecer com clareza. Estamos falando do salário de milhares de trabalhadores, pessoas que dependem desse recurso para sustentar suas famílias. A Câmara vai acompanhar o caso e buscar todos os esclarecimentos necessários”, concluiu o parlamentar.

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