Landmark cobra que reforma agrária saia do discurso e vire política pública com urgência

Vereador Landmark defende que reforma agrária saia do discurso e seja executada. Foto: Pedro  Roque
Vereador Landmark defende que reforma agrária saia do discurso e seja executada. Foto: Pedro Roque

O vereador Landmark Rios (PT) participou, na tarde de quinta-feira (22), da etapa estadual da 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, realizada na sede do Incra, em Campo Grande. Durante o encontro, o parlamentar defendeu que a reforma agrária e a agricultura familiar deixem de ser apenas discurso político e passem a ocupar lugar central no orçamento e nas decisões dos governos.

A conferência reuniu representantes de movimentos sociais, órgãos federais, estaduais, universidades e lideranças do campo para construir propostas que serão levadas ao debate nacional. Para Landmark, o momento exige posicionamento claro e ação concreta.

“Não podemos negociar a reforma agrária. Ela precisa estar na pauta nacional, no orçamento e no compromisso dos governantes. Sem investimento do Estado, da União e dos municípios, não existe agricultura familiar forte nem reforma agrária de verdade”, afirmou o vereador.

Landmark destacou ainda a importância de levar à conferência nacional pautas estratégicas para Mato Grosso do Sul, como a defesa da agricultura familiar, dos povos quilombolas, indígenas e o fortalecimento da produção agroecológica. “A saída para a crise alimentar e ambiental passa pela agricultura familiar e pela reforma agrária. Isso precisa estar na pauta dos governantes e também dos candidatos neste ano político”, reforçou.

Participação popular

Durante o evento, o diretor-presidente da Agraer, Fernando Luiz Nascimento, destacou que a definição de recursos para a reforma agrária é um dos pontos mais sensíveis do processo e reconheceu que a participação popular é essencial para corrigir distorções históricas.

“Como o vereador Landmark colocou, a definição de recursos para a reforma agrária é crucial. As conferências são uma forma de ampliar a participação da sociedade, porque muitas vezes os direitos existem, estão na lei, mas não chegam até quem precisa”, afirmou Fernando.

Segundo ele, a conferência é um instrumento para que as demandas da agricultura familiar cheguem aos governantes. “Eles não vêm atrás da gente para saber o que precisamos. É a gente que precisa dizer, participar e provocar”, pontuou.

Na mesma linha, a superintendente federal do Desenvolvimento Agrário em Mato Grosso do Sul, Marina Nunes, ressaltou que a realização da etapa estadual só foi possível graças à articulação entre movimentos, instituições e parlamentares, mesmo diante de limitações orçamentárias.

“Quando a gente pensa em conferência sem orçamento, parece impossível mobilizar as pessoas. Mas foi a parceria que tornou isso viável. Juventude, mulheres, agricultores familiares, assentados, todos precisavam estar aqui, porque é essa voz que vai chegar ao debate nacional”, afirmou Marina.

Ela destacou ainda o protagonismo da juventude e das mulheres no campo. “A juventude é o futuro dos assentamentos e as mulheres são fundamentais na produção agroecológica e na alimentação saudável. Essas pautas precisam estar no centro da política pública”, disse.

Incra apresenta números históricos e projeta novos avanços

Durante a conferência, o superintendente regional do Incra em Mato Grosso do Sul, Paulo Roberto da Silva, apresentou dados que reforçam avanços recentes da política de reforma agrária no Estado. Segundo ele, 2025 foi encerrado com a entrega de 1.800 títulos definitivos, o maior número da história da superintendência.

“Fechamos o ano com 1.800 títulos gerados em lotes da reforma agrária. E queremos chegar até julho deste ano com mais 1.500 títulos entregues”, afirmou.

Paulo Roberto ressaltou que a conferência cumpre papel estratégico ao orientar o avanço das políticas públicas e destacou parcerias com universidades públicas, como a implantação do curso de Agronomia da UEMS em Glória de Dourados, voltado ao público da agricultura familiar e da reforma agrária.

Apesar dos avanços apresentados, Landmark avaliou que o desafio central segue sendo transformar consenso político em ação concreta. “Os números mostram que é possível avançar, mas a reforma agrária não pode depender apenas de boa vontade. Precisa ser prioridade, com orçamento garantido e menos burocracia”, afirmou.

O vereador reforçou que seguirá acompanhando as agendas junto ao Incra, ministérios e demais órgãos, além de levar o debate para a Câmara Municipal. “Nosso papel é cobrar, fiscalizar e dar visibilidade. Reforma agrária é justiça social e precisa sair do discurso”, concluiu.

As propostas construídas na etapa estadual serão encaminhadas à conferência nacional, prevista para março, em Brasília, e devem orientar políticas públicas voltadas aos povos do campo, das águas e das florestas.

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