
O vereador Landmark Rios (PT) participou, nesta segunda-feira (22), do encontro “Rumo ao Agroecol 2026”, realizado no auditório da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande. O evento reuniu agricultores familiares, pesquisadores, estudantes, povos indígenas, movimentos sociais, instituições públicas e organizações ligadas à produção sustentável de alimentos.
A programação integra a etapa preparatória para o Agroecol 2026, um dos principais eventos de agroecologia da América do Sul, que será realizado entre os dias 4 e 7 de novembro, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Com o tema “Ciência, Movimento e Prática: como superar a crise climática?”, o encontro promove discussões sobre agricultura familiar, produção orgânica, sistemas agroflorestais, sociobiodiversidade, conservação ambiental e enfrentamento das mudanças climáticas.
Durante sua participação, Landmark defendeu que o debate sobre agroecologia seja levado aos municípios e transformado em políticas públicas permanentes.
“Esse ambiente construído aqui é o ambiente que precisamos estabelecer em todos os municípios de Mato Grosso do Sul. É o encontro da academia, dos pesquisadores, professores e estudantes com os povos indígenas, os produtores e os movimentos sociais. A agroecologia precisa ocupar os territórios e também entrar na agenda do poder público”, afirmou.
O vereador destacou que o mandato tem trabalhado para ampliar a visibilidade da agroecologia e da agricultura familiar em Campo Grande. Entre as iniciativas está a proposta de criação da Semana Municipal da Agroecologia, atualmente em tramitação na Câmara Municipal.
“É fundamental criar políticas públicas dentro das câmaras municipais. Em Campo Grande, está em tramitação a Semana da Agroecologia, que ainda não existia no calendário oficial da cidade. Isso é estratégico para os pesquisadores, produtores, estudantes e para todos que acreditam em um modelo de produção saudável e sustentável”, explicou Landmark.

Evento reúne ciência, movimentos e saberes tradicionais
Presidente de honra do Agroecol 2026, o professor doutor Alberto Feiden destacou que o evento possui características diferentes dos encontros científicos tradicionais por promover o diálogo entre o conhecimento acadêmico e os saberes construídos pelas comunidades.
“O Agroecol é um evento científico que tem características diferentes dos outros eventos científicos, porque promove o diálogo entre o saber tradicional e o saber científico. É a academia descendo do seu pedestal e indo trabalhar junto com as comunidades”, afirmou.
Segundo Feiden, a agroecologia precisa reunir ciência, prática e mobilização social.
“A agroecologia é ciência, a agroecologia é prática e a agroecologia é movimento social. Se não tiver os três, pode ser qualquer coisa, mas não é agroecologia. Isso é fundamental no contato com a população, e o Agroecol tenta transmitir isso em seus eventos”, explicou.
O professor também ressaltou o protagonismo feminino na organização do encontro, homenageando mulheres indígenas, camponesas, quilombolas e integrantes das comunidades tradicionais.
“Na comissão organizadora deste evento, os homens são minoria, quem comanda são as mulheres. Quero saudar todas as mulheres dos povos originários, as mulheres camponesas, quilombolas e todas as mulheres que estão carregando esse arco e flecha”, declarou.
Durante o encontro, foi anunciada a abertura da primeira chamada para apresentação de trabalhos no Agroecol 2026. A submissão deverá começar em 20 de julho e aceitará tanto trabalhos técnico-científicos quanto relatos de experiências desenvolvidas por agricultores, comunidades indígenas e povos tradicionais.
Os trabalhos aprovados e apresentados durante o evento de novembro serão publicados na revista Cadernos de Agroecologia.
Feira aproximou produtores e consumidores
A programação preparatória começou no domingo (21), durante a Feira Bosque da Paz, com a Feira da Agricultura Familiar e da Sociobiodiversidade. Cerca de 25 expositores de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul participaram da atividade, comercializando alimentos, produtos agroecológicos e itens ligados à sociobiodiversidade.
A agricultora familiar Tainá Azeredo Campos Péclat, da Cogumelos do Queridão, destacou a importância de eventos que valorizam a produção sustentável e aproximam os produtores da população.
“Nós somos uma pequena fungicultura familiar. Produzimos cogumelos de forma agroecológica e sustentável no bairro Chácara dos Poderes, aqui em Campo Grande. Para a gente é muito importante participar desses eventos, que valorizam a agricultura familiar e a agroecologia, pensando no futuro, na sustentabilidade e na preservação”, afirmou.
Segundo Tainá, a produção agroecológica permite oferecer alimentos de qualidade preservando o equilíbrio ambiental.
“A gente traz alimento de qualidade, mantendo também o equilíbrio da natureza”, completou.
A professora Raquel Pires Campos, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição da UFMS, explicou que a feira foi organizada para fortalecer a troca entre produtores e consumidores interessados em alimentação saudável, sustentabilidade e valorização dos produtos regionais.
“Nós organizamos essa Feira da Sociobiodiversidade e da Agricultura Familiar para oportunizar essa troca entre produtores e consumidores finais que estão preocupados com saudabilidade, sustentabilidade e com o valor cultural que podemos inserir nos produtos de Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Raquel destacou ainda que vários agricultores participantes recebem apoio de estudantes e projetos de extensão da UFMS, principalmente nas áreas de inclusão produtiva e agroindustrialização.
“Vários desses produtores recebem oficinas dos alunos da UFMS. A gente envolve os estudantes por meio de disciplinas e projetos de extensão. É uma parceria entre várias instituições que apoiam a agricultura familiar e a agroecologia para promover o desenvolvimento sustentável em Mato Grosso do Sul”, explicou.

Agrofloresta e enfrentamento da crise climática
A programação do “Rumo ao Agroecol 2026” continua nesta terça-feira (23), na UEMS, com o Seminário de Agrofloresta “Da experiência ao território: caminhos da agrofloresta no MS”.
O encontro reunirá especialistas, agricultores e instituições para compartilhar experiências sobre sistemas agroflorestais, restauração de áreas degradadas, fixação de carbono, recuperação ambiental e cadeias produtivas associadas à agricultura familiar.
Para Landmark, a agroecologia é uma resposta concreta aos desafios ambientais, sociais e econômicos enfrentados atualmente.
“Quando a gente fala de agroecologia, fala de alimento saudável, preservação, renda para o pequeno produtor e enfrentamento da crise climática. Não é um debate distante da vida das pessoas. Está na comida que chega à mesa, na água, no solo e no futuro das próximas gerações”, afirmou.
Defesa da agricultura familiar
A participação no encontro integra uma atuação permanente do mandato de Landmark em defesa dos agricultores familiares, assentamentos, comunidades tradicionais e produção sustentável.
O vereador tem defendido a implantação de um cinturão verde em Campo Grande, a criação de um Programa Municipal de Aquisição de Alimentos, o incentivo à agroindustrialização e a ampliação da assistência técnica e do acesso ao mercado para pequenos produtores.
O mandato também tem acompanhado demandas relacionadas à manutenção das estradas rurais, transporte escolar, infraestrutura nos assentamentos e condições para o escoamento da produção.
Para Landmark, o Agroecol mostra que a construção de políticas públicas precisa envolver produtores, universidades, movimentos sociais e instituições de pesquisa e extensão.
“A agroecologia não se constrói de cima para baixo. Ela nasce da experiência do agricultor, do saber dos povos indígenas e tradicionais, da pesquisa científica e da organização social. O poder público precisa ouvir, apoiar e transformar esse conhecimento em políticas que cheguem à ponta”, concluiu.



