Landmark defende reforma agrária e cobra resposta do governo durante ocupação do MSTB no Incra

Vereador Landmark durante conversa com movimento nesta terça-feira. Foto: Pedro Roque
Vereador Landmark durante conversa com movimento nesta terça-feira. Foto: Pedro Roque

Integrantes do MSTB (Movimento Sem Terra Brasileiro) ocuparam, nesta terça-feira (13), a sede da Superintendência Regional do Incra em Campo Grande e apresentaram uma pauta de reivindicações que inclui vistoria e desapropriação de áreas, conclusão de processos fundiários, cestas básicas para famílias acampadas e a presença de autoridades federais para destravar os encaminhamentos.

O documento protocolado pelo movimento cita, entre os pedidos, vistoria e desapropriação da Fazenda Andorfato, em Ribas do Rio Pardo, vistorias em fazendas em Nioaque, conclusão de processo de área pública no município, resposta sobre denúncia envolvendo a Fazenda São Marcos em Dourados e a presença da Câmara de Conciliação Agrária (CCA) na área em conflito, com alerta de risco de agravamento e encaminhamento à Polícia Federal.

Durante a ocupação, o vereador Landmark Rios (PT) afirmou que a mobilização é legítima e disse que a pauta da reforma agrária é compromisso do seu mandato. “A ocupação de vocês aqui hoje no MSTB é legítima”, declarou. “A luta de vocês é a nossa luta. Eu fui eleito em Campo Grande com a pauta da reforma agrária e tenho defendido a reforma agrária deste o primeiro dia de mandato”, completou.

Landmark também afirmou que o Incra em Mato Grosso do Sul tem cumprido o trabalho administrativo, apesar da estrutura reduzida, e defendeu que a pressão política precisa ser direcionada para garantir orçamento e resposta efetiva aos acampamentos. “O Incra do Mato Grosso do Sul fez o dever de casa, mesmo com poucos funcionários”, disse. “Agora é importante colocarmos uma pressão sim aos ministros lá em Brasília, ao Paulo [Teixeira], ao presidente do Incra e à ministra Simone Tebet”, afirmou.

O dirigente nacional do MSTB, Douglas Elias, cobrou cumprimento de promessas e criticou a demora na solução para milhares de famílias. “2025 passou, vai dar em 2026 e as 5.000 famílias… não foi acertado”, disse, ao defender a presença do ministro Paulo Teixeira. Ele relatou situação de insegurança em Ribas do Rio Pardo e afirmou que famílias estariam sofrendo represálias atribuídas a segurança privada. “Dá tiro em cima de barraco onde tem criança dormindo”, afirmou, ao pedir providências para evitar que acampados “virem estatística”.

Na avaliação do deputado federal Vander Loubet (PT), a ocupação reforça a mobilização por soluções e recursos. Ele afirmou que o governo tem compromisso com a pauta, mas reconheceu dificuldades na disputa orçamentária. “Sem luta não tem vitória”, disse. Vander também se comprometeu a cobrar providências sobre a denúncia de violência e a buscar diálogo com a segurança pública estadual. “Nós temos que ir para cima para dar segurança para o pessoal do movimento”, afirmou, mencionando que poderia acionar o secretário de segurança e comunicar autoridades federais, se necessário.

A deputada estadual Gleice Jane (PT) afirmou que o presidente Lula tem compromisso com a reforma agrária e com a produção de alimentos, mas apontou obstáculos políticos no Estado e no Congresso. “O presidente Lula tem compromisso com a reforma agrária”, disse. Ao relatar episódios de repressão a indígenas e movimentos no Estado, ela classificou como inadmissível a situação denunciada em Ribas do Rio Pardo e afirmou que pretende tratar do tema na tribuna. “O que vocês estão denunciando… eu vou falar assim que voltar a sessão”, afirmou.

Carlos Bernardo conversa com lideranças do movimento. Foto: Pedro Roque
Carlos Bernardo conversa com lideranças do movimento. Foto: Pedro Roque

Já o empresário Carlos Bernardo, uma das lideranças do PT, declarou apoio à ocupação e disse que a mobilização serve como pressão para destravar respostas. “Essa ocupação é justa”, afirmou, sustentando que o movimento não está contra os parlamentares e a superintendência local, mas buscando visibilidade e solução. Ele também criticou prioridades orçamentárias e citou exemplos de recursos destinados a outras áreas enquanto a reforma agrária enfrenta demora.

Durante as discussões, foi indicado que medidas de vistoria e encaminhamentos fundiários podem demandar 30 a 45 dias, considerando trâmites legais. Sobre cestas básicas, foi informado que a compra depende da abertura do orçamento federal, com previsão de liberação a partir do dia 20. Também foi defendida a necessidade de articulação para trazer autoridades federais a Mato Grosso do Sul e formalizar compromissos.

Ao final, ficou o compromisso de manter negociação e ampliar a articulação política para encaminhar a pauta, incluindo acompanhamento de casos ligados à assistência social em municípios como Dourados, além do monitoramento sobre denúncias de violência em áreas de conflito.

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