Landmark e bancada federal se unem a movimentos sociais em capacitação para assentamento de 1.200 famílias em MS

Landmark fala a movimentos sociais durante evento na UFMS. Foto: Pedro Roque
Landmark fala a movimentos sociais durante evento na UFMS. Foto: Pedro Roque

O auditório do Complexo Multiuso da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) foi palco, nesta sexta-feira (20), de uma capacitação organizada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) com movimentos sociais de luta pela terra, voltada ao processo de seleção de famílias para assentamento em Mato Grosso do Sul.

A ação, agendada desde 4 de fevereiro, teve como objetivo orientar os movimentos sobre os editais, normas e critérios do processo que prevê o assentamento de 1.200 famílias no estado. Estiveram presentes o superintendente regional do Incra/MS, Paulo Roberto da Silva, a superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário em MS, Marina Nunes, o deputado estadual Zeca do PT, os deputados federais Vander Loubet (PT) e Camila Jara (PT), o vereador Landmark Rios (PT) e lideranças de diversos movimentos sociais.

Os movimentos que participaram desta capacitação não são os mesmos que realizaram as manifestações registradas ao longo desta semana em Campo Grande, como a ocupação da sede do Incra e o fechamento parcial da BR-163 na manhã desta sexta, já liberada. Trata-se de grupos distintos, com estratégias diferentes, embora todos compartilhem a pauta da reforma agrária.

Capacitação para assentamento de 1.200 famílias

Segundo o superintendente Paulo Roberto da Silva, a oficina desta sexta faz parte de um processo já em andamento para viabilizar o assentamento de 1.200 famílias em Mato Grosso do Sul. “É uma seleção. Os editais já foram publicados e discutidos. A ideia é que os movimentos conheçam as normas para saber que famílias indicar no momento certo”, explicou Paulo Roberto, ressaltando que os movimentos que não puderam comparecer terão oportunidade de receber as mesmas orientações em outro momento.

O vereador Landmark Rios foi enfático ao defender o trabalho da equipe regional do Incra e ao apontar onde, na sua avaliação, estão os entraves para o avanço da reforma agrária no estado. “O Incra de Mato Grosso do Sul fez o seu dever de casa. Seja internamente, seja com os movimentos sociais, com todas as bandeiras”, afirmou o parlamentar, que destacou a dedicação dos servidores regionais mesmo em condições adversas. “O Paulinho e a Marina nunca se negaram a isso. Debaixo de barraco, fazendo cadastro, abrindo o gabinete, atendendo o telefone.”

Landmark também revelou os bastidores da articulação que resultou na confirmação da vinda do presidente nacional do Incra, César Aldrighi, a Campo Grande. “Hoje pela manhã, 7 horas da manhã estávamos com ele no telefone”, disse o vereador, ao lado dos deputados Vander Loubet, Camila Jara e Zeca do PT, reafirmando o protagonismo conjunto da bancada na construção do diálogo. A vinda de César Aldrighi foi anunciada na nota divulgada pelo gabinete do vereador ainda na manhã desta sexta-feira.

O deputado estadual Zeca do PT contextualizou a luta pela terra dentro de um debate mais amplo sobre democratização do país e concentração de riqueza, e defendeu que o processo de assentamento precisa ser acompanhado de investimentos estruturais. “A reforma agrária não se extingue na conquista do lote. Esse é o primeiro grande passo, mas imediatamente tem que ser seguida de investimentos por parte do Estado brasileiro para fazer com que aqueles que foram assentados possam produzir”, afirmou Zeca, que relatou também a agenda que a bancada cumpriu em Brasília na semana, com reuniões no Ministério do Desenvolvimento Agrário, no Ministério do Desenvolvimento Regional e com a presidência da Funai.

O deputado federal Vander Loubet reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo governo para cumprir as metas da reforma agrária, atribuindo os entraves principalmente à disputa orçamentária com o Congresso Nacional, e creditou à pressão dos movimentos a confirmação da vinda de César Aldrighi. “Isso foi uma decisão dessa mobilização de vocês, dessa pressão de vocês”, disse Vander, que também revelou as tratativas em curso para que o presidente Lula, durante sua visita à COP15 em Campo Grande no domingo, receba uma comissão dos movimentos. “A presidência pediu uma sala reservada e o presidente Lula quer estar atendendo algumas pessoas aqui”, adiantou o deputado.

A deputada federal Camila Jara, por sua vez, foi direta ao reconhecer que os recursos destinados pela bancada federal ao Ministério do Desenvolvimento Agrário para aquisição de terras não se traduziram em avanços concretos nas negociações. “Quando saiu a notícia que as negociações não tão indo, que o dinheiro que a gente colocou da bancada federal não foi para frente, a gente sabe que precisa de uma interferência maior”, afirmou a parlamentar. Para ela, a chegada de César Aldrighi representa a oportunidade de sentar e definir o que é possível fazer de imediato. “Que no domingo, o presidente Lula já consiga sair anunciando um lote para assentamento aqui em Mato Grosso do Sul”, declarou.

Já a liderança Jorge Bento, da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), destacou o papel dos movimentos na construção do resultado desta semana e convocou à unidade. “Se não fosse a luta deles e a coragem deles, amanhã não teria o presidente nacional do Incra no estado de Mato Grosso do Sul para fortalecer todo esse trabalho que tá sendo feito pela bancada federal e pela superintendência do Incra e do MDA juntamente com o gabinete do nosso companheiro Landmark”, afirmou Jorge, que defendeu a convergência das forças em torno de uma pauta comum. “A luta tem que ser unificada dos movimentos sociais do estado de Mato Grosso do Sul.”

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