Landmark expõe gestão fracassada e propõe reorganização da saúde pública

Vereador pediu abertura de caixa preta da Saúde. Foto: Pedro Roque
Vereador pediu abertura de caixa preta da Saúde. Foto: Pedro Roque

Em 2025, a saúde pública de Campo Grande esteve no centro de uma série de denúncias, fiscalizações e debates que expuseram fragilidades na gestão, problemas estruturais nas unidades e falhas graves no atendimento à população.

Nesse cenário, o vereador Landmark Rios (PT) adotou uma postura constante de cobrança, acompanhando de perto a situação das unidades, levando denúncias ao plenário e pressionando o Executivo por respostas concretas.

A atuação se deu tanto no enfrentamento imediato dos problemas quanto na construção de propostas estruturantes para reorganizar o sistema de saúde no médio e longo prazo.

Falta de medicamentos

Desde o início do ano, Landmark passou a denunciar a recorrente falta de medicamentos na rede municipal. Em sessões da Câmara, cobrou mais agilidade na distribuição dos remédios e alertou que não há sistema de saúde que resista à ausência de planejamento.

As denúncias se confirmaram em visitas técnicas realizadas pelo vereador a unidades como o Centro de Especialidades Médicas e UBSFs (Unidades Básicas de Saúde da Família) dos bairros Estrela Dalva e São Conrado, onde foram constatados pacientes sem acesso a medicamentos básicos, ausência de insumos e até falta de álcool para procedimentos simples. Segundo o parlamentar, a situação ultrapassava o limite do aceitável e exigia transparência e reorganização urgente da gestão.

Landmark durante fiscalização em unidade de saúde da Capital. Foto: Pedro Roque
Landmark durante fiscalização em unidade de saúde da Capital. Foto: Pedro Roque

Odontologia, SAMU e estrutura precária

Outro ponto crítico revelado ao longo do ano foi o colapso da odontologia básica. Landmark denunciou em mais de uma ocasião que dezenas de unidades estavam sem compressores ou com equipamentos com problemas, o que inviabilizava atendimentos e ampliava a fila de espera.

O vereador também cobrou explicações sobre ambulâncias do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) paradas e sobre o contrato de locação dos veículos, questionando a eficiência do serviço em situações de emergência. Para ele, a precariedade estrutural refletia a falta de prioridades claras na gestão da saúde.

Caixa-preta da saúde e denúncias de desvios

O debate ganhou novo patamar quando surgiram denúncias de possíveis desvios de até R$ 156 milhões na saúde municipal. A convite de Landmark, o presidente do Conselho Municipal de Saúde esteve na Câmara para tratar do tema, ampliando a pressão por esclarecimentos.

Em plenário, o vereador pediu a abertura da “caixa-preta da saúde” e defendeu que todos os contratos e gastos fossem colocados sob escrutínio público. Após requerimento apresentado por ele, o Denasus (Departamento Nacional de Auditoria do SUS) confirmou a abertura de auditoria para apurar as denúncias.

Prontuários desaparecidos e bloqueio à fiscalização

Ainda no campo da fiscalização, o vereador cobrou explicações do Executivo após o sumiço de cerca de 21 mil prontuários do CAPS III (Centro de Atenção Psicossocial) do Aero Rancho. O episódio gerou preocupação sobre a segurança das informações e a continuidade do cuidado aos pacientes.

Landmark também denunciou o bloqueio à fiscalização do Conselho Regional de Farmácia em unidades públicas, classificando a medida como desperdício e retrocesso em um momento de falta de medicamentos. Em reunião com o CRF-MS, defendeu a valorização dos farmacêuticos e a atuação técnica como pilares para evitar falhas no abastecimento.

Cobrança por gestão técnica

Ao longo do ano, o vereador reforçou que a saúde não pode ser tratada com viés ideológico, mas com gestão técnica, planejamento e responsabilidade. Em reuniões com o comitê gestor da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), cobrou soluções concretas para o caos nas unidades e respostas à população.

Entre as cobranças, também esteve a situação da Santa Casa, com denúncias de colapso no atendimento e falta de clareza sobre o uso dos recursos públicos destinados à instituição.

Vereador fala com moradora sobre problemas na UBSF do Jardim Tarumã. Foto: Pedro Roque
Vereador fala com moradora sobre problemas na UBSF do Jardim Tarumã. Foto: Pedro Roque

Avanços pontuais e atendimento local

Além das denúncias, a atuação também resultou em respostas práticas. Um exemplo foi a articulação que garantiu a chegada de uma nova médica para reforçar o atendimento na UBSF do Jardim Tarumã, após sucessivas cobranças sobre a falta de profissionais, medicamentos e vagas.

Landmark também votou favoravelmente a projetos voltados à internação e tratamento de dependentes químicos e é autor de proposta que leva banho, higiene e acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, ampliando o olhar da saúde para além do atendimento clínico.

Emendas à LOA e recursos para saúde e assistência

No orçamento, o vereador destinou R$ 830 mil em emendas impositivas à LOA (Lei Orçamentária Anual) para as áreas de saúde e assistência social. Somente para a saúde, as emendas impositivas da LOA 2026 somam R$ 415.133,93, com foco principal em saúde mental, saúde preventiva, inclusão social e contratação de pessoal.

Planejamento estruturante no PPA

Parlamentar escuta demandas de servidores profissionais da saúde. Foto: Pedro Roque
Parlamentar escuta demandas de servidores profissionais da saúde. Foto: Pedro Roque

No PPA (Plano Plurianual) 2026–2029, Landmark apresentou um conjunto robusto de propostas voltadas à reorganização da saúde pública, especialmente no campo e em áreas mais afastadas da cidade.

Entre as iniciativas estão a criação de equipes de CAPS Itinerante Rural e do programa “RAPS no Campo”, levando atendimento psicossocial a assentamentos e distritos, além da implantação da APS Itinerante Rural, com unidades móveis multiprofissionais e meta de cobertura de 90% da população rural até 2029.

O planejamento inclui ainda ações de saúde mental com rodas de diálogo e palestras, linha de cuidado do idoso rural, programas voltados às mulheres do campo e campanhas de saúde do homem, além da adaptação das unidades para acessibilidade plena.

Outro eixo importante é a proposta de política de estoque mínimo de medicamentos, com painel público de disponibilidade e rotas regulares de distribuição às unidades rurais, buscando evitar a repetição de crises de abastecimento.

Sobre Landmark Rios

Professor de formação e militante histórico das lutas sociais, Landmark Rios (PT) é vereador de Campo Grande e exerce seu mandato com foco na fiscalização das políticas públicas e na defesa de direitos. Com trajetória ligada à educação, à agricultura familiar e à assistência social, atuou como secretário municipal e técnico da Agraer antes de assumir a Câmara Municipal.

No Legislativo, Landmark se consolidou como uma das principais vozes na defesa da moradia digna, da regularização fundiária, da saúde pública, da agricultura familiar, da segurança alimentar e do transporte coletivo de qualidade. É presidente da Comissão de Agropecuária e do Agronegócio, vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento e integra as comissões de Legislação Participativa, Obras e Serviços Públicos e Causas Indígenas.

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