No evento do MPL, Landmark cobra que reforma agrária saia do discurso e vire prioridade no orçamento federal

Vereador Landmark discursa em Encontro Nacional do MPL. Foto: Pedro Roque
Vereador Landmark discursa em Encontro Nacional do MPL. Foto: Pedro Roque

Durante o V Encontro Nacional do Movimento Popular de Luta (MPL), realizado no domingo (25) no Acampamento Zumbi dos Palmares, em Campo Grande, o vereador Landmark Rios (PT) defendeu que a reforma agrária deixe de ser apenas uma promessa política e passe a ser tratada como prioridade concreta pelo governo federal, com recursos garantidos no orçamento.

O encontro reuniu lideranças de diversos estados para debater a lentidão na criação de assentamentos, a aquisição de áreas e os rumos da luta pela terra no Brasil. Ao se manifestar, Landmark destacou que, em Mato Grosso do Sul, o trabalho técnico já foi feito, mas falta decisão política em Brasília.

“O Incra no Mato Grosso do Sul fez o dever de casa. As famílias estão cadastradas, as áreas estão apontadas e o órgão está estruturado. O que nós precisamos agora é que a reforma agrária saia do discurso e vire prioridade no orçamento federal”, afirmou o vereador.

Segundo Landmark, o cenário no estado exige urgência. “Nós saímos de cerca de 2 mil famílias acampadas e hoje temos quase 19 mil famílias cadastradas no Mato Grosso do Sul. Não dá mais para empurrar essa pauta para frente. Reforma agrária é produção de alimento, é dignidade e é justiça social”, completou.

Movimento cobra respostas 

Coordenador nacional do MPL, Beto Jonas reforçou que o encontro tem como foco central a pressão por avanços concretos. Segundo ele, há diálogo com a superintendência do Incra, mas falta prioridade do governo federal. 

“Existe boa vontade no Incra, mas Brasília não está priorizando a reforma agrária. A base está cansada de esperar e por isso estamos discutindo estratégias de mobilização e pressão para que os assentamentos avancem”, afirmou Beto.

Beto Jonas, dirigente do MPL, é pré-candidato ao Senado. Foto: Pedro Roque
Beto Jonas, dirigente do MPL, é pré-candidato ao Senado. Foto: Pedro Roque

O encontro também abriu espaço para o debate político. Foi anunciado que Beto Jonas é pré-candidato ao Senado e que Lucien Rezende, dirigente do PSOL em Mato Grosso do Sul, é o nome colocado pelo partido para a disputa ao Governo do Estado em 2026.

Ao falar aos participantes, Lucien destacou a legitimidade da luta e fez críticas à lentidão do governo federal. “A mobilização é fundamental, mas também é preciso gesto político. Em mais de três anos, a reforma agrária ainda não avançou como deveria no estado. Não pode passar mais um ano sem assentamentos”, disse.

Presidenta nacional do PSOL, Paula Coradi reforçou o caráter social da pauta. “A luta pela terra é uma luta por dignidade, por trabalho e por justiça social. Num país desigual como o Brasil, querer terra para produzir é um ato profundamente transformador”, afirmou.

O deputado federal Vander Loubet ressaltou que o principal obstáculo para a reforma agrária hoje não é a falta de estrutura, mas a disputa orçamentária no Congresso Nacional.

“Não é falta de vontade política. O problema é que o Congresso retirou do Executivo cerca de R$ 70 bilhões para emendas, enquanto o orçamento da reforma agrária não chega a R$ 700 milhões. Sem pressão social, essa correlação de forças não muda”, explicou.

Vander afirmou que há compromisso de assentar entre 4 mil e 5 mil famílias, mas reconheceu que o número ainda é insuficiente diante da demanda. “A reforma agrária precisa vir acompanhada de habitação, assistência técnica e infraestrutura. Essa é a luta que nos une”, completou.

Deputado Federal Vander Loubet destacou entraves no orçamento. Foto: Pedro Roque
Deputado Federal Vander Loubet destacou entraves no orçamento. Foto: Pedro Roque

Empresário e um dos expoentes do PT em Mato Grosso do Sul, Carlos Bernardo reforçou o compromisso político com a reforma agrária e destacou que a luta pela terra não pode ser esquecida, mesmo diante dos desafios institucionais.

“Eu vivi acampamento, vivi a dificuldade e sei o que é esperar pela terra. A reforma agrária continua sendo uma causa justa e necessária, e ela só avança com organização, pressão e compromisso político. A esquerda precisa estar ao lado do povo que luta”, afirmou.

Carlos também ressaltou que o debate eleitoral deve caminhar junto com a pauta social. “Nós estamos construindo um projeto político que precisa ter coragem de defender a reforma agrária, a agricultura familiar e o povo mais pobre. Sem isso, não existe transformação real”, completou.

Empresário Carlos Bernador. Foto: Pedro Roque
Empresário Carlos Bernador. Foto: Pedro Roque

Incra afirma estar preparado para avançar

Representando o Incra em Mato Grosso do Sul, Paulo Roberto da Silva afirmou que a superintendência está estruturada e pronta para responder às demandas dos movimentos.

“Nós organizamos o Incra no estado, ampliamos o cadastro de famílias e estruturamos os processos de obtenção de terras. Do ponto de vista técnico e institucional, estamos preparados. O que falta agora é decisão política e orçamento para avançar”, declarou.

Paulo também informou que o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, tem visita prevista ao estado, o que deve abrir novo espaço de diálogo sobre a pauta da reforma agrária.

Ao encerrar sua fala, Landmark reforçou que seu mandato seguirá articulado com os movimentos sociais e com a bancada federal. Ele destacou ainda a defesa do cinturão verde em Campo Grande, que prevê o assentamento de cerca de 600 famílias para produção de alimentos e abastecimento da cidade.

“O nosso mandato é comprometido com a reforma agrária, com a agricultura familiar e com a produção de comida saudável. Essa luta não é só do campo, ela é de toda a sociedade”, concluiu.

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