‘Precisamos disputar o orçamento para garantir moradia digna’, defende Landmark em audiência sobre a Campanha da Fraternidade

Landmark participou de audiência sobre habitação
Landmark participou de audiência sobre habitação

A Câmara Municipal de Campo Grande realizou, na noite de terça-feira (10), uma audiência pública para debater o tema da Campanha da Fraternidade 2026: “Fraternidade e Moradia”, que propõe uma reflexão sobre o direito à moradia digna como parte fundamental da dignidade humana e da cidadania.

Durante o encontro, o vereador Landmark Rios destacou a gravidade da situação habitacional da Capital e defendeu a necessidade de ampliar investimentos públicos para enfrentar o déficit habitacional.

“Dizer que a fraternidade e moradia que acompanha este ano, ela vem para impactar Campo Grande, que atualmente passa de entre 220 ocupações e favelas em Campo Grande. Nós temos um déficit habitacional muito grande em Campo Grande a ser solucinado”, disse o vereador.

O parlamentar ressaltou que o debate precisa avançar para além do diagnóstico, envolvendo orçamento e planejamento público. “Nós estamos criando esse ambiente, aqui é um ambiente propício, onde nós precisamos discutir habitação, de falar também dando visibilidade para as pessoas em situação de rua, mas para isso nós precisamos de orçamento na habitação. Orçamento destinado exclusivamente para habitação”.

Landmark também citou a proposta apresentada na Câmara que busca ampliar os investimentos no setor. “Para isso, nós fizemos aqui um projeto, ele tá aberto para discussão. Nós vamos estar discutindo dentro dos movimentos sociais a criação de um fundo, que é 1% do orçamento de Campo Grande para habitação”.

Debate reúne Igreja, poder público e sociedade civil

A audiência reuniu representantes da Igreja, movimentos sociais, instituições públicas e entidades ligadas à política habitacional. Durante a abertura, o arcebispo Dom Dimas Lara Barbosa destacou que os temas abordados pela Campanha da Fraternidade envolvem toda a sociedade.

“Os problemas abordados na Campanha da Fraternidade, saúde pública, saneamento básico, educação e esse ano a moradia não são problemas de católicos, são problemas de todos os cidadãos. De modo que moradia é um direito da pessoa humana e um problema dessa magnitude só se resolve com uma parceria efetiva entre o poder público e a sociedade civil organizada.”

Segundo ele, o objetivo do debate é aprofundar o diagnóstico e apontar caminhos para enfrentar o déficit habitacional. “Essa audiência tem essa finalidade de vermos de forma mais aprofundada a realidade da moradia e particularmente do déficit de moradia em nossa capital e também a situação do povo de rua e encaminhar propostas concretas aos diversos segmentos do poder público”.

Moradia como direito humano

O Padre  Linniker Matheus Magalhães dos Santos, ao apresentar o texto-base da campanha, explicou que a iniciativa busca promover reflexão e mobilização social em torno do tema da moradia.“O objetivo geral da campanha é promover, a partir da Boa Nova do Reino e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito junto aos demais bens e serviços essenciais a toda população.”

Ele também ressaltou que a realidade habitacional revela desigualdades profundas no país. “O crescimento das desigualdades, o aumento da população em situação de rua, as favelas, os assentamentos em área urbana de risco, o grande déficit habitacional e ainda milhões de moradias inadequadas, sem estrutura, sem segurança, sem dignidade.”

Construção de pontes

Representando a Comissão de Fé e Política, o Padre Luiz Gustavo Winkler ressaltou a importância do diálogo entre Igreja, poder público e sociedade. “É importante essa nossa interação de igreja e poder público. Seja o Legislativo, seja o Executivo. Nós podemos falar também com esses poderes e ser a luz, através da boa fraternidade, e transformar essa nossa fé em ação concreta.”

Dívida histórica da política habitacional

Durante a audiência, a representante do Conselho Estadual das Cidades e do Movimento Nacional de Luta Pela Moradia, Edymar Fernandes Cintra, lembrou que o déficit habitacional reflete uma dívida histórica com a população de baixa renda. “Quando falta moradia, falta referência para família, falta o CPF do morador, falta dignidade, falta cidadania. É um direito constitucional e a gente tem que lutar contra isso”.

Ela também destacou a importância de momentos de diálogo para fortalecer políticas públicas. “Há momentos como esse que ressurgem para continuar essa luta que é tão perene da sociedade. Moradia é um direito constitucional.”

A audiência pública reuniu representantes da Empresa Municipal de Habitação (Emha), Agência Estadual de Habitação, Defensoria Pública, Ministério Público, além de movimentos sociais e entidades ligadas à pauta da moradia.

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