
A possível terceirização da saúde pública de Campo Grande acendeu um alerta na Câmara Municipal. O vereador Landmark Rios (PT) revelou ter sido informado sobre um projeto da Prefeitura, que estuda entregar a gestão de 12 Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs), 2 UPAs e 2 Centros Regionais de Saúde (CRSs) para Organizações Sociais (OS).
Segundo o parlamentar, a medida estaria sendo construída pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) como alternativa para reduzir custos e adequar o município à Lei de Responsabilidade Fiscal. No entanto, ele faz um alerta direto à população.
“Chegou ao nosso gabinete uma informação grave. Isso não é uma simples mudança administrativa, é o futuro do SUS em Campo Grande em risco. Se vier para esta Casa, meu voto será NÃO. Saúde pública não é mercadoria”, afirmou.
Risco de piora no atendimento
Para Landmark, a proposta pode trazer consequências graves tanto para os trabalhadores quanto para os usuários do sistema público.
Entre os principais pontos de preocupação estão: corte de plantões e redução de renda dos profissionais; pressão por metas e precarização do trabalho; perda de qualidade no atendimento à população; risco de aumento de custos com reajustes de contratos e dependência do município em relação a empresas privadas
“Todo mundo sabe como isso começa. No início parece solução, depois vêm os reajustes e quem paga a conta é o povo”, criticou.
O tema também preocupa o Conselho Municipal de Saúde. O presidente do órgão, Jader Vasconcelos, já se posicionou contrário à proposta. “A gente entende que esse não é o melhor caminho. A saúde pública precisa ser fortalecida com investimento e valorização dos profissionais, não com a transferência da gestão para terceiros”, afirmou.
Diante da gravidade do tema, uma mobilização já está sendo organizada por trabalhadores da saúde e entidades. Um documento de convocação divulgado pelo Fomts (Fórum Municipal dos Trabalhadores de Saúde) alerta que a terceirização representa uma ameaça direta ao SUS e pode provocar precarização das relações de trabalho, corte de plantões e perda de autonomia técnica .
A mobilização está prevista para a próxima terça-feira, dia 31 de março, na Câmara Municipal, quando Jader Vasconcelos deve se manifestar na tribuna durante a Palavra Livre, a convite do vereador Landmark.
Desde o início do mandato, Landmark tem atuado na fiscalização da saúde pública em Campo Grande. Entre as ações recentes, denunciou a falta de compressores odontológicos, que deixou mais de 30 unidades sem atendimento, e articulou R$ 300 mil em emendas para aquisição de equipamentos.
Para o vereador, o caminho é outro.
“A solução não é terceirizar. É investir, organizar e respeitar quem trabalha e quem precisa do atendimento. Nosso mandato vai continuar defendendo uma saúde pública forte, de verdade”, concluiu.



