Sem acordo, greve é iminente: Landmark cobra resposta definitiva do Executivo para assistentes de educação infantil

Assistentes lotaram plenário durante audiência nesta sexta-feira. Foto: Pedro Roque
Assistentes lotaram plenário durante audiência nesta sexta-feira. Foto: Pedro Roque

A audiência pública “Valorização das Assistentes de Educação Infantil”, realizada na Câmara Municipal de Campo Grande nesta sexta-feira (6), foi marcada por plenário lotado, relatos contundentes de assédio moral, denúncias de precarização das condições de trabalho e o anúncio de que a greve pode começar já na próxima segunda-feira (9), caso não haja resposta concreta do Executivo municipal.

Durante a audiência, assistentes de educação infantil deixaram claro que não aceitarão mais adiamentos. A principal reivindicação segue sendo o reajuste salarial de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil, além de vale-alimentação, respeito à lotação máxima de crianças por sala, direito a atestado de acompanhante, acesso a plano de saúde e correção da nomenclatura do cargo.

Categoria relata exaustão, assédio e sobrecarga

A presidente do sindicato da categoria, Natali Pereira, fez um depoimento forte, relatando o desgaste físico e emocional acumulado ao longo dos anos e a falta de reconhecimento.

“A gente pede o mínimo, que é dignidade, respeito e confiança. Não somos bichos, somos mulheres. Trabalhamos com 28, 30, às vezes 37 crianças em salas pequenas. Isso adoece as servidoras e prejudica o desenvolvimento das crianças”, afirmou.

Ela destacou que a categoria está há três anos sem reajuste e que, desta vez, a decisão sobre a paralisação será tomada pelas próprias assistentes. “É o futuro de vocês, de quem está no chão da escola o dia inteiro”, disse ela, completando: “Se não houver reajuste, vai ter greve, há fizemos o indicativo”.

Natali Pereira, à direita, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Contratados do município de Campo Grande. Foto: Pedro Roque
Natali Pereira, à direita, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Contratados do município de Campo Grande. Foto: Pedro Roque

Também representando o sindicato, Inês Cardoso Ramires afirmou que a luta vai além da questão financeira e envolve respeito ao papel exercido pelas assistentes. “Nós cuidamos de vidas. Não somos monitoras de aluno, somos monitoras de vida. Os pais deixam toda a responsabilidade conosco”, declarou.

Ela também cobrou explicações sobre desligamentos recentes e defendeu a garantia de direitos básicos. “Queremos valorização, respeito, direito a atestado, plano de saúde e respostas claras da Secretaria de Educação”, pontuou.

Ministério do Trabalho aponta irregularidades e defende direito de greve

Representando o Ministério Público do Trabalho, o superintendente Alexandre Canteiro classificou como grave a situação apresentada durante a audiência. “É inadmissível que, em 2026, quem cuida da infância esteja submetido a assédio e condições indignas de trabalho. O direito de greve é constitucional e precisa ser respeitado”, afirmou.

Ele também chamou atenção para o modelo de contratação das assistentes. “Vocês não são nem celetistas nem estatutárias. Essa forma de contratação precisa ser discutida, porque gera insegurança jurídica e desigualdade”, disse, colocando o MPT à disposição para mediar o conflito.

Landmark cobra resposta imediata do Executivo

Vereador disse que vai acionar novamente o Executivo em busca de uma solução. Foto: Pedro Roque
Vereador disse que vai acionar novamente o Executivo em busca de uma solução. Foto: Pedro Roque

O vereador Landmark Rios (PT), presidente da audiência, afirmou que a audiência escancarou uma situação insustentável e cobrou resposta imediata da Prefeitura para evitar a paralisação.

“Não podemos permitir que trabalhadoras da educação infantil sigam sem condições mínimas de dignidade. Se não houver resposta concreta, a greve é iminente.”, afirmou.

Landmark lembrou que já houve reuniões anteriores com o Executivo e que alguns pontos avançaram, como a manutenção do salário no próximo edital, a discussão sobre a nomenclatura do cargo e a formação de uma comissão para debater concurso público, mas reconheceu que isso não atende à principal demanda da categoria.

“O diálogo é fundamental, mas diálogo sem resultado não resolve. A categoria deixou claro que não aceita mais promessas”, reforçou. O parlamentar, que vem acompanhando o caso desde o início do ano, afirmou que vai buscar uma nova intermediação junto ao Executivo. “É preciso haver um acordo. Ambas as partes precisam chegar a um entendimento e vamos nos debruçar sobre isso”.

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