
Em assembleia realizada na noite desta quinta-feira (19), na sede do Sinticop-MS (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem em Geral de MS), as assistentes de educação infantil de Campo Grande definiram a pauta oficial de reivindicações da categoria e decidiram manter aberta a mesa de negociação com a Prefeitura.
Participaram da assembleia a diretoria do Sindicato dos Servidores Contratados da Administração Pública da Rede Municipal de Campo Grande, representada pela presidente Natali Pereira e pela secretária Letícia Albuquerque, o vereador Landmark Rios (PT), a deputada estadual Gleice Jane (PT), o presidente do Sinticop-MS, Walter Vieira, o presidente da CUT-MS, Vilson Gregório, além de outras lideranças sindicais e autoridades.
A assembleia ocorreu dentro do prazo legal previsto após a publicação no Diário Oficial, respeitando o intervalo de dez dias estabelecido pelo estatuto sindical. Durante a reunião, a categoria aprovou as pautas prioritárias que serão levadas à mesa de negociação com a Prefeitura. Caso não haja acordo, as trabalhadoras devem reunir novamente e avaliar a possibilidade de greve. As principais demandas incluem:
- Anulação da demissão e reintegração de Natali Pereira
- Correção imediata da nomenclatura do cargo de Assistente de Educação Infantil
- Reajuste salarial para R$ 2.800
- Pagamento de vale-alimentação no valor de R$ 300
- Cumprimento da lei que garante abono de falta para acompanhamento de filhos ou parentes em atendimento médico
- Regulamentação do limite de alunos por sala, garantindo condições adequadas de trabalho
- Envio à Câmara de projeto para alterar a Lei 7.466/25, assegurando às temporárias direito ao plano de saúde
- Fim do desvio de função na limpeza
- Participação do sindicato na comissão do novo concurso ou processo seletivo

“É desumano o que estamos vivendo”
Uma das falas mais impactantes da noite foi da assistente Karina Aparecida dos Santos, que relatou as condições enfrentadas nas unidades. “O nosso maior desafio é a quantidade de crianças por sala. Teve dia de estarmos com mais de 33 crianças em sala, só eu e a professora. Às vezes falta auxiliar. É desumano com a gente, é desumano com o professor e é desumano com a nossa categoria”, afirmou.
Ela destacou ainda que o problema não afeta apenas as profissionais, mas também as crianças. “Uma sala numerosa prejudica tudo, a rotina, o ensino, o cuidado. Educação infantil não é só ensinar, é cuidar também.”
Negociação permanece aberta

A presidente Natali Pereira reforçou que a estratégia adotada foi manter o diálogo aberto para não inviabilizar as tratativas jurídicas e administrativas já em andamento.
“Se a gente declarar greve, fecha a mesa de negociação. E hoje a negociação está aberta. Amanhã teremos reunião no Ministério do Trabalho e com a Prefeitura. A gente precisa proteger vocês e agir dentro da legalidade”, explicou.
Ela ressaltou que já houve reuniões com o Ministério Público e com representantes do Ministério do Trabalho, e que a mobilização continuará como forma de pressão, sem descumprir a legislação.
Apoio político
O vereador Landmark afirmou que o momento exige sensibilidade do poder público. “Existe vontade de diálogo por parte do sindicato. A pauta tem vários pontos a serem considerados e o poder público precisa ter atenção especial nesse momento. Se não houver negociação, haverá paralisação, e isso impacta muitas famílias de Campo Grande. Estamos aqui para ser solidários e apoiar as trabalhadoras”, declarou.
A deputada estadual Gleice Jane contextualizou a luta da categoria dentro de um debate mais amplo sobre valorização do trabalho feminino. “O trabalho que vocês realizam é o trabalho de cuidar, de limpar, de organizar. Historicamente, o trabalho das mulheres é desvalorizado. A nossa luta aqui também é pela valorização do trabalho das mulheres no serviço público”, afirmou.



