DÍVIDAS: 57,5 milhões LANDMARK cobra resposta urgente dos interventores do Consórcio  Guaicurus

O relatório dos primeiros 90 dias de intervenção no Consórcio Guaicurus revela um cenário de grave deterioração financeira, operacional e administrativa no sistema de transporte coletivo de Campo Grande. Apresentado nesta terça-feira (22), o documento aponta R$ 57,5 milhões em dívidas bancárias, tributárias e com fornecedores, além de uma série de falhas na gestão da concessionária.

Segundo o levantamento, quando a intervenção assumiu o controle do sistema, em 16 de junho, o Consórcio tinha apenas R$ 415,2 mil em caixa, enquanto o adiantamento salarial dos trabalhadores ultrapassava R$ 1 milhão. Também foram encontrados R$ 31,2 milhões em parcelamentos fiscais com a Receita Federal, R$ 5,8 milhões em débitos vencidos com fornecedores de diesel e R$ 4,8 milhões em INSS e Imposto de Renda retidos e ainda não quitados.

O relatório também aponta problemas diretamente relacionados à gestão. A manutenção dos ônibus era predominantemente corretiva, o sistema de gestão utilizado pela empresa era subutilizado e controles importantes eram mantidos paralelamente em planilhas, e-mails e até grupos de WhatsApp. Na gestão da frota, os interventores encontraram 446 veículos nas garagens, enquanto anteriormente eram informados 460. A idade média da frota chegou a 10,4 anos, mais que o dobro dos cinco anos previstos no contrato.

Outro dado chama atenção: nenhum dos 11 indicadores de desempenho previstos no contrato era efetivamente calculado pelas empresas. Os seguros obrigatórios da frota também estavam inadimplidos desde 2016. Entre 2023 e 2025, o número de viagens realizadas caiu cerca de 14%, enquanto a quilometragem percorrida recuou 15,2%. Para os interventores, a situação financeira encontrada representava risco concreto de uma nova paralisação do sistema.

Uma crise que já vinha sendo investigada

A intervenção não surgiu de forma isolada. Antes dela, a Câmara Municipal realizou uma CPI do Transporte Coletivo, concluída em setembro de 2025, após mais de 50 horas de oitivas e análise de documentos. O relatório da comissão apontou problemas na prestação do serviço e recomendou, entre outras medidas, a intervenção no Consórcio. Em novembro daquele ano, uma ação popular também foi apresentada à Justiça pedindo a intervenção. Após novas etapas de apuração, uma comissão municipal recomendou a medida em junho de 2026, e a Prefeitura decretou a intervenção no dia 16 daquele mês.

Durante esse processo, os interventores também estiveram na Câmara Municipal para apresentar aos vereadores os primeiros levantamentos. Na reunião, foram relatados problemas de gestão operacional, dívidas, frota envelhecida e dificuldades de manutenção. Naquele momento, a equipe ainda afirmava que seria necessário aprofundar a auditoria para entender como a situação havia chegado àquele ponto. Agora, o relatório dos 90 dias apresenta um diagnóstico mais amplo e confirma parte das fragilidades identificadas desde o início da intervenção.

O próprio Consórcio Guaicurus contesta as conclusões. Em manifestação divulgada à imprensa, a empresa atribui a crise ao desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, citando a ausência de revisões contratuais e o pagamento incompleto de subsídios. A equipe de intervenção, por outro lado, afirma que os problemas financeiros não podem ser atribuídos exclusivamente à tarifa ou aos subsídios e aponta despesas e decisões de gestão que, segundo o relatório, teriam elevado os custos da operação. A auditoria externa ainda deverá aprofundar essas questões.

Landmark cobra mudanças no transporte

A situação encontrada pelos interventores reforça uma pauta que o mandato do vereador Landmark Rios acompanha desde o início: a defesa de um transporte coletivo público com mais qualidade, segurança, transparência e respeito aos usuários e trabalhadores.

Landmark participou das discussões sobre a crise do sistema, acompanhou o processo de intervenção e vem cobrando que os recursos públicos destinados ao transporte sejam acompanhados de melhorias concretas para quem depende dos ônibus todos os dias.

Uma das principais bandeiras do mandato é o projeto “Ar no Busão”, que estabelece a necessidade de climatização nos novos ônibus incorporados ao sistema. A proposta foi apresentada diante da realidade enfrentada diariamente pelos passageiros, especialmente durante os períodos de calor intenso em Campo Grande. Mesmo após o veto do Executivo, o mandato manteve a cobrança para que a renovação da frota represente, de fato, uma melhoria nas condições oferecidas à população.

Para o mandato, o relatório deixa claro que a discussão sobre o transporte coletivo não pode se limitar ao valor da tarifa. É preciso discutir como o sistema é administrado, como os recursos são utilizados, quais são as condições dos ônibus e quais garantias existem para que o serviço seja prestado com qualidade.

A intervenção ainda está em andamento e uma auditoria externa deverá aprofundar a análise financeira e operacional. O relatório final deverá subsidiar a decisão da Prefeitura sobre os próximos passos da concessão.

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