Landmark e Giselle Marques reforçam combate a fachadas espelhadas que transformam Capital em ‘forno’

Vereador participou de live com a advogada Giselle Marques. Foto: Pedro Roque
Vereador participou de live com a advogada Giselle Marques. Foto: Pedro Roque

Em uma live realizada na noite da terça-feira (11), o vereador Landmark Rios (PT) e a advogada Dra. Giselle Marques, especialista em direito ambiental, discutiram os impactos ambientais e urbanos das fachadas espelhadas em Campo Grande, além dos riscos da verticalização excessiva no entorno do Parque dos Poderes.

O encontro destacou o Projeto de Lei nº 12.382/2026,   de Landmark, que propõe a proibição de novas fachadas espelhadas na Capital como medida de sustentabilidade e proteção à fauna.

Eficiência energética e o “Efeito Lupa”

Durante o debate, o vereador Landmark apresentou dados técnicos que justificam a urgência da proposta. Segundo ele, estudos da USP indicam que o uso dessas superfícies sobrecarrega o sistema elétrico e eleva a temperatura urbana.

“A utilização da fachada espelhada chega a exigir até 26% mais de energia em relação à proteção térmica, porque ela atrai o calor. Quem está dentro do prédio tende a usar mais ar-condicionado, com mais frequência e potência”, explicou o vereador.

Além do consumo interno, Landmark alertou para as consequências externas. “O espelho reflete o sol e atinge carros, pedestres e a vegetação como se fosse uma lupa. Isso altera a temperatura de toda a cidade e deixa a cidade como um forno”.

O parlamentar também trouxe um dado alarmante sobre a biodiversidade: quase 1 bilhão de aves morrem anualmente no mundo devido a colisões com esses vidros.

A Crise Hídrica e o Impacto no Parque dos Poderes

A Dra. Giselle Marques reforçou a necessidade de conter a verticalização desenfreada, associando-a à preservação dos recursos hídricos de Campo Grande. Ela destacou que as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Guariroba e do Córrego Lajeado são as principais fontes de água da cidade, mas estão sob ameaça.

“O Córrego Lajeado perdeu, nos últimos 12 anos, aproximadamente 10% da sua vazão. Isso é muito sério. Para cobrir essa perda, a concessionária é obrigada a perfurar poços para extrair água do Aquífero Guarani”, alertou a advogada.

Sobre o entorno do Parque dos Poderes, Giselle criticou a criação de um “muro de concreto” que a verticalização pode gerar, prejudicando aves migratórias e criando sombras permanentes em áreas de preservação.

Para ela, os consumidores de imóveis de luxo na região correm o risco de serem enganados. “Eles compram apartamentos caríssimos achando que estão adquirindo um empreendimento ecológico, mas essa pressão ambiental tende a desvalorizar esses imóveis no futuro próximo”.

Vitórias Judiciais e Representatividade

A live também abordou o andamento de ações judiciais cruciais para o meio ambiente local. Giselle detalhou a luta contra o desmatamento de 17 hectares no Parque dos Poderes, mencionando uma vitória recente em 2024, quando conseguiram anular a sentença que homologava um acordo para a supressão da vegetação.

Landmark Rios e o deputado federal Vander Loubet (PT) também figuram em uma ação contra a verticalização do entorno do parque. “É fundamental que a população tome consciência. Quando temos representantes do povo se posicionando, como o vereador e o deputado, e a população nas ruas, criamos uma possibilidade real de proteção ao nosso meio ambiente”, concluiu Giselle Marques.

O projeto de Landmark Rios segue em tramitação na Câmara Municipal, buscando alinhar o desenvolvimento urbano de Campo Grande com as diretrizes globais de sustentabilidade e preservação ambiental.

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