À frente dos trabalhadores da construção civil, Abelha alerta contra precarização e defende escala 5×2

Abelha é presidente do Sintracom-CG. Foto: Pedro Roque
Abelha é presidente do Sintracom-CG. Foto: Pedro Roque

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil e no Mobiliário de Campo Grande (Sintracom-CG) e da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Mato Grosso do Sul (Fetricom-MS), José Abelha Neto tem atuado na defesa de uma das categorias mais importantes para o desenvolvimento econômico da Capital e do Estado.

A construção civil movimenta empregos, obras, renda e desenvolvimento urbano, mas também enfrenta desafios permanentes ligados à valorização salarial, segurança no trabalho, qualificação profissional, combate à precarização e defesa dos direitos trabalhistas. Para Abelha, o papel do sindicato é estar presente nos canteiros, ouvir os trabalhadores e negociar avanços reais para a categoria.

Entre as pautas centrais de 2026 está o debate nacional sobre o fim da escala 6×1 e a adoção de jornadas que garantam mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida aos trabalhadores. Segundo Abelha, muitos setores já praticam modelos próximos da escala 5×2, e a construção civil também precisa avançar nessa discussão.

“A escala 6×1, nós sabemos, já tem várias entidades e categorias que estão praticando a escala 5×2. A gente espera, no mínimo, ter essa escala 5×2 para a construção civil. Hoje, muitos trabalhadores já trabalham de segunda a sexta, mas em regime de compensação. O que a gente defende é não precisar mais compensar. Seriam horas a mais de ganho para eles, para estar com a família e resolver os problemas do cotidiano também”, afirmou.

Para o presidente do Sintracom-CG, a redução da jornada pode representar ganho não apenas para os trabalhadores, mas também para o setor produtivo.

“Se a escala 5×2 vier para nós, será de bom grado. A gente vê como um grande avanço. Tenho certeza que isso vai ajudar na produção do trabalhador e também pode gerar mais contratações dentro do setor”, destacou.

Negociações e conquistas

Abelha também explicou que o sindicato segue em processo de negociação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) deste ano. Mesmo antes do fechamento definitivo, ele afirma que já há avanços importantes em discussão.

“Nós ainda estamos em período de negociação. Este ano ainda não foi fechada a CCT, a Convenção Coletiva de Trabalho. Porém, nós já temos grandes ganhos. Temos garantido ganho real para o trabalhador, aumento no vale-alimentação, tanto no café da manhã quanto no almoço, estamos estendendo plano odontológico, melhoria na saúde e segurança do trabalhador”, relatou.

Segundo ele, em um cenário econômico difícil para os trabalhadores, a atuação sindical tem sido fundamental para garantir reajustes, benefícios e melhores condições nos canteiros de obras.

“Nós temos, graças a Deus, trazido benefícios e melhoria também no campo do reajuste salarial para o trabalhador, que hoje não é fácil. Mas o sindicato tem travado essa luta e tem tido resultado”, afirmou.

Combate à precarização

Um dos maiores desafios apontados por Abelha é o combate à precarização dos direitos trabalhistas. Para ele, o sindicato precisa atuar em várias frentes: direitos trabalhistas, previdenciários, saúde e segurança no ambiente de trabalho.

“O grande desafio do sindicato hoje, com a classe trabalhadora, é o combate à precarização dos direitos do trabalhador, tanto na parte trabalhista, previdenciária, quanto no quesito saúde e segurança. É um desafio muito grande que as entidades têm travado”, afirmou.

Outra preocupação crescente é a pejotização no setor da construção civil. Abelha alerta que muitos trabalhadores estão sendo contratados como pessoa jurídica, com CNPJ, mas continuam exercendo atividades típicas de empregados, sem a proteção de direitos garantidos pela legislação.

“Hoje, muitos trabalhadores da construção civil estão trabalhando com CNPJ, como empresa, e os seus direitos são negados. Ele acaba não sendo mais funcionário, passa a ser uma empresa prestando serviço. E a gente sabe que isso não é verdade. Isso é, muitas vezes, uma forma de diminuir os custos da empresa com direitos trabalhistas”, explicou.

Sindicato presente nos canteiros

Abelha destaca que a conscientização dos trabalhadores é parte essencial da atuação do Sintracom-CG. O sindicato realiza visitas constantes aos canteiros de obras, palestras, panfletagens e participação em diálogos de segurança.

“A conscientização dos nossos trabalhadores da construção civil nós fazemos constantemente. Estamos sempre nos canteiros de obras, através de palestras, participação em diálogo de segurança, panfletagem. Sempre mantemos os trabalhadores atualizados sobre como procurar o sindicato para que, juntos, possamos melhorar a situação deles dentro dos postos de trabalho”, afirmou.

Para ele, um sindicato forte depende da participação direta da categoria.

“Um sindicato forte se faz com trabalhadores conscientes da luta de classe”, completou.

Ano político e defesa dos trabalhadores

Com 2026 marcado por eleições para presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais, Abelha afirma que os trabalhadores precisam observar com atenção quais candidaturas estão comprometidas com direitos trabalhistas e políticas sociais.

“Nós sabemos que este ano político é um ano em que o trabalhador tem que olhar e ver quem realmente representa ele. É um ano perigoso, em que muitos políticos entram na cabeça do trabalhador e da trabalhadora com promessas e ilusões que não vão acontecer no futuro”, alertou.

O presidente do Sintracom-CG também destacou que pautas como a escala 5×2 e a defesa dos direitos trabalhistas devem estar no centro do debate político.

“A gente tem aberto bastante a cabeça do trabalhador e da trabalhadora para mostrar que quem resolve as nossas situações é o Congresso Nacional, é o Senado, é a Assembleia Legislativa e são as Câmaras Municipais, onde as leis e os projetos são votados. Por isso, é importante que votem em candidatos que venham realmente ao encontro dos direitos trabalhistas e da parte social”, afirmou.

Segundo Abelha, os trabalhadores precisam cobrar propostas concretas em áreas como saúde, segurança, educação, direitos sociais e valorização profissional.

Landmark destaca atuação de Abelha e do Sintracom-CG

O vereador Landmark Rios (PT) destacou a importância do trabalho realizado por José Abelha Neto à frente do Sintracom-CG e da Fetricom-MS, especialmente na defesa dos trabalhadores da construção civil, uma categoria que ajuda a construir e transformar Campo Grande.

“O Abelha é uma liderança que conhece a realidade do trabalhador da construção civil, está presente nos canteiros, entende os desafios da categoria e tem uma trajetória de luta por direitos, salário, segurança e valorização. O nosso mandato reconhece esse trabalho e está à disposição para dialogar com o Sintracom-CG nas pautas que melhorem a vida dos trabalhadores”, afirmou Landmark.

Para o vereador, fortalecer sindicatos é também fortalecer a democracia e a defesa de direitos.

“Quem levanta prédio, escola, posto de saúde, casa e obra pública também precisa ser respeitado. A cidade cresce pelas mãos desses trabalhadores. Por isso, ouvir o sindicato, entender as demandas da categoria e apoiar a luta por melhores condições de trabalho é uma responsabilidade de quem defende justiça social”, concluiu.

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