Além de não oferecer condições melhores, Consórcio Guaicurus quer aumentar a tarifa

Enquanto passageiros de Campo Grande continuam enfrentando problemas no transporte coletivo, o Consórcio Guaicurus tenta garantir na Justiça o aumento da tarifa técnica para R$ 7,79. Nesta terça-feira (1º), porém, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) derrubou a decisão que obrigava a Prefeitura a adotar o novo valor.

Atualmente, a tarifa técnica é de R$ 6,57, enquanto o usuário paga R$ 4,95 pela passagem. A diferença é subsidiada pelo município. Segundo o Ministério Público, somente em 2026 o Consórcio já recebeu mais de R$ 38,5 milhões em recursos públicos, entre subvenção econômica e isenção de ISSQN.

A tentativa de aumento acontece em meio a uma série de problemas apontados na prestação do serviço. Fiscalizações identificaram ônibus antigos circulando pela Capital. Em maio, por exemplo, 81 veículos haviam sido interditados e 12 ônibus fabricados em 2010 ainda estavam em operação. A idade média da frota também chegou a 10 anos, acima dos parâmetros previstos no contrato.

Além disso, o Consórcio chegou a propor a substituição de apenas 100 ônibus, enquanto a Prefeitura apontava a necessidade de renovação de 197 veículos. O próprio relatório do processo de intervenção apontou que os problemas são recorrentes e que não seria suficiente simplesmente aumentar a tarifa ou conceder mais subsídios.

Agora, a decisão do TJMS impede, neste momento, que os empresários recebam os R$ 7,79 por passageiro. O tribunal também cancelou a multa diária de R$ 80 mil que havia sido imposta ao município. A Prefeitura estima que o reajuste poderia representar um impacto de aproximadamente R$ 45 milhões por ano aos cofres públicos.

A decisão reforça uma discussão que acompanha o transporte coletivo de Campo Grande: antes de pedir mais dinheiro, é preciso garantir um serviço digno, com ônibus em melhores condições, segurança, pontualidade e qualidade para quem depende diariamente do transporte público.

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