Durante entrega da LDO, Landmark se posiciona contra privatização e alerta para ‘manobra no tapetão’ na saúde

Vereador Landmark é Defensor do SUS. Foto: Pedro Roque
Vereador Landmark é Defensor do SUS. Foto: Pedro Roque

A entrega do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, realizada nesta quinta-feira (16) na Câmara Municipal de Campo Grande, foi marcada não apenas pela discussão do orçamento, mas também por um tema que tem dominado o debate político na Capital: a privatização da saúde.

Durante conversa com a prefeita Adriane Lopes, o vereador Landmark Rios (PT) se posicionou de forma contrária à proposta do Executivo de transferir a gestão de unidades de saúde para Organizações Sociais (OS).

“Na conversa com a prefeita, ela apresentou a posição da gestão de levar a terceirização para unidades como o Tiradentes e o Aero Rancho. E de pronto eu já me posicionei: nós somos contrários à entrada de OS e à privatização da saúde em Campo Grande”, afirmou.

Segundo o vereador, a justificativa apresentada pelo Executivo está ligada à tentativa de melhorar o funcionamento das unidades, diante de problemas estruturais e de gestão.

“Foi colocado pela prefeita dificuldades na comunicação interna das unidades, problemas de gestão e até questões de comprometimento de parte dos servidores. Mas isso não se resolve com privatização”, pontuou.

Alerta para “tapetão” e investigação do MP

Landmark também afirmou que está atento a uma possível tentativa de viabilizar a terceirização sem o devido debate no Legislativo.

“A gente precisa ter muito cuidado para que isso não seja feito no tapetão, sem passar pela Câmara e sem ouvir a população”, alertou.

O tema já é alvo de acompanhamento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que instaurou procedimento administrativo para fiscalizar a proposta de terceirização.

A atuação tem caráter preventivo e busca garantir que qualquer mudança no modelo de gestão respeite princípios como legalidade, transparência, economicidade e continuidade do serviço público.

Entre as preocupações levantadas estão a ausência de estudos técnicos que comprovem a eficácia da medida, dificuldades na fiscalização dos contratos e riscos de precarização dos serviços.

Além disso, o Conselho Municipal de Saúde já se posicionou formalmente contra a proposta, apontando que problemas estruturais, como falhas no planejamento, falta de insumos e déficit de leitos, não seriam resolvidos apenas com a mudança no modelo de gestão.

LDO define prioridades da cidade

A discussão ocorreu durante a entrega da LDO, que prevê um orçamento de aproximadamente R$ 7,261 bilhões para 2027, com aumento de cerca de 4% em relação ao ano anterior.

O projeto agora passa a tramitar na Câmara Municipal, onde os vereadores poderão apresentar emendas e discutir a aplicação dos recursos públicos nas diversas áreas da cidade.  

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