Landmark critica pedido de reajuste do Consórcio Guaicurus e avisa que votará contra

Vereador ouviu usuários e propôs o projeto do ar no busão. Foto: Pedro Roque
Vereador ouviu usuários e propôs o projeto do ar no busão. Foto: Pedro Roque

O vereador Landmark Rios (PT) voltou a criticar a atuação do Consórcio Guaicurus e afirmou que será contrário a qualquer proposta de aumento de repasses ou reajuste ligado ao transporte coletivo de Campo Grande, sem melhorias concretas previstas para a população.

A declaração foi dada após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul se manifestar contra o pedido do Consórcio Guaicurus para elevar a tarifa técnica do transporte coletivo de R$ 6,57 para R$ 7,79. Em parecer anexado ao processo judicial, o procurador de Justiça Aroldo José de Lima apontou risco de “enriquecimento sem causa” por parte das empresas concessionárias.

“Se vier aqui para a Câmara aumento de passagem ou mais dinheiro para o consórcio, o meu voto é claro, é contra”, afirmou Landmark.

O parlamentar criticou a falta de melhorias no sistema mesmo após os sucessivos repasses públicos realizados à concessionária.

“O Consórcio Guaicurus, mesmo depois da CPI aqui dentro da Casa, não melhorou em nada. Não houve aquisição de ônibus novos, o ar-condicionado do busão não avançou, não houve melhora das linhas nem da qualidade do serviço”, declarou.

Ministério Público questiona aumento milionário

Segundo o parecer do Ministério Público, somente em 2026 o Consórcio Guaicurus já recebeu mais de R$ 38,5 milhões em recursos públicos da Prefeitura de Campo Grande, sendo R$ 28 milhões em subsídio econômico e outros R$ 10,5 milhões em isenções tributárias.

O órgão também destacou que perícia judicial realizada em outro processo apontou cenário econômico diferente daquele apresentado pelas empresas de transporte.

O reajuste pedido pelo consórcio poderia representar aproximadamente R$ 45 milhões adicionais por ano às empresas concessionárias.

Além disso, relatório técnico produzido pela comissão de intervenção do município apontou falhas recorrentes na prestação do serviço e concluiu que o problema do transporte coletivo não será resolvido apenas com novos reajustes tarifários.

CPI do Consórcio e projeto “Ar no Busão”

Ainda em 2025, durante seu primeiro ano mandato, Landmark foi um dos primeiros vereadores a assinar o pedido de criação da CPI do Consórcio Guaicurus na Câmara Municipal.

Na época, o parlamentar defendeu investigação sobre a qualidade do serviço prestado, os contratos e a aplicação dos recursos públicos no transporte coletivo da Capital.

Também em 2025, Landmark apresentou o projeto “Ar no Busão”, que prevê a obrigatoriedade de funcionamento integral do sistema de ar-condicionado nos ônibus do transporte coletivo de Campo Grande.

O projeto chegou a ser aprovado pela Câmara Municipal, mas acabou vetado pelo Executivo. Em 2026, o vereador reapresentou a proposta.

A iniciativa prevê que novos ônibus adquiridos pelo Consórcio tenham ar-condicionado em funcionamento, além de estabelecer mecanismos de fiscalização.

Segundo Landmark, não é aceitável que a população continue pagando caro por um serviço considerado precário por usuários diariamente.

“O povo pega ônibus lotado, quente, demora horas no ponto e ainda querem colocar mais dinheiro público sem melhorar o serviço. Campo Grande merece respeito”, afirmou.

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