Landmark se reúne com Sebrae e Associação de Criadores de Jogos para discutir fortalecimento do mercado gamer em Campo Grande  

Vereador reunido com Flávio e Maurício, para tratar sobre o mercado de games em Campo Grande. Foto: Pedro Roque
Vereador reunido com Flávio e Maurício, para tratar sobre o mercado de games em Campo Grande. Foto: Pedro Roque

O vereador Landmark Rios (PT) recebeu nesta terça-feira (16), no gabinete, representantes do Sebrae/MS e da Associação de Criadores de Jogos de Mato Grosso do Sul para discutir caminhos de apoio ao setor de games em Campo Grande. A reunião contou com a participação de Flávio Domeniche Bastos, gestor da pasta de jogos do Sebrae/MS, e de Mauricio de Souza Estevam, presidente da Associação de Criadores de Jogos de Mato Grosso do Sul.

O encontro teve como pauta o potencial dos jogos digitais como ferramenta de desenvolvimento econômico, inovação, cultura, educação e geração de oportunidades, especialmente para a juventude. A conversa também abordou a necessidade de políticas públicas para fortalecer empresas locais, incentivar novos desenvolvedores e aproximar o poder público de um mercado que cresce no Brasil e no mundo.

Para Landmark, Campo Grande precisa olhar para o setor de games com mais seriedade, entendendo que os jogos digitais já fazem parte da economia criativa e podem gerar trabalho, renda e novas perspectivas para os jovens.

“Quando a gente fala de games, não está falando só de entretenimento. Estamos falando de tecnologia, cultura, audiovisual, educação, esporte eletrônico, empreendedorismo e futuro. É um setor que conversa diretamente com a juventude e que pode gerar emprego e renda aqui em Campo Grande. Nosso mandato quer se aproximar desse segmento para ouvir, entender as demandas e ajudar a construir caminhos de apoio”, afirmou Landmark.

Durante a reunião, Flavio Domeniche Bastos destacou que o mercado de jogos digitais tem impacto nacional e internacional, movimenta bilhões e já se consolidou como uma das principais cadeias da economia criativa no mundo.

“O cenário de jogos é um caminho para negócios, estilo de vida e cultura. Hoje, os jogos estão inseridos dentro do projeto de audiovisual no Brasil. Falamos sobre políticas públicas que estão dando certo em outros estados, trazendo impacto principalmente para o público jovem, que é quem mais se atrai por esse mercado”, explicou.

Ele também citou o Marco Legal dos Games, sancionado pelo presidente Lula em 2024, como um avanço importante para dar visibilidade e reconhecimento ao setor no Brasil.

“Falamos sobre o marco legal, que existe desde 2024, assinado pelo presidente Lula, e que traz visibilidade e reconhecimento para esse mercado dentro do Brasil. Ainda estão sendo trabalhadas políticas públicas, legislações, a questão do CBO, que foi aprovado recentemente, e do CNAE, que ainda está previsto para sair com especificações para cada atividade”, afirmou.

Outro ponto discutido foi a diferença entre jogos digitais e apostas online. Segundo Flávio, é importante separar a cadeia produtiva dos games das chamadas bets.

“As bets tentaram aproveitar o marco legal para se classificar como jogos, mas isso foi barrado. Elas não pertencem ao grupo dos desenvolvedores de jogos. É outra coisa. O setor de games envolve desenvolvimento, cultura, audiovisual, tecnologia, arte, música, programação, e-sports e toda uma cadeia produtiva”, destacou.

Games, educação e juventude

A reunião também tratou da relação entre games, educação e juventude. Flávio destacou que os jogos podem ajudar a aumentar o engajamento dos estudantes, fortalecer novas metodologias de ensino e aproximar a escola da realidade das novas gerações.

“Existem vários estudos mostrando que, quando você faz a gamificação do processo, aumenta a qualidade do ensino e o engajamento do aluno. Muita gente aprendeu inglês, história, matemática e outros conteúdos jogando. Uma coisa não anula a outra. Uma complementa a outra”, afirmou.

Ele também defendeu que Campo Grande acompanhe debates nacionais e internacionais sobre e-sports, desenvolvimento de jogos e formação profissional.

“Para as próximas Olimpíadas, está sendo estudada a possibilidade de entrada dos jogos digitais. Se isso acontecer, eles passam a ser reconhecidos como esporte olímpico. Então, como o município vai se adaptar? Como as escolas vão lidar com isso? Como vamos reconhecer os e-sports como modalidade esportiva?”, questionou.

Para Landmark, esse debate precisa entrar na agenda pública da cidade.

“Campo Grande não pode ficar para trás. Se outros estados e municípios já estão criando políticas para games, e-sports, inovação e economia criativa, nós também precisamos discutir isso aqui. O poder público precisa entender onde pode ajudar: seja na educação, nos eventos, nos editais, na formação, na estrutura ou no incentivo ao empreendedorismo”, afirmou o vereador.

Criadores de jogos enfrentam dificuldade para se manter

Mauricio de Souza Estevam, presidente da Associação de Criadores de Jogos de Mato Grosso do Sul, apresentou parte do cenário local. Segundo ele, o Estado já conta com empresas formalizadas e uma comunidade organizada, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar talento em negócios sustentáveis.

“Dentro da associação, fizemos um mapeamento e hoje temos cerca de oito empresas formalizadas. Só que poucas trabalham exclusivamente com jogos, porque é muito difícil se manter. A pessoa acaba tendo outra atividade para sobreviver, pagar as contas, e o desenvolvimento do jogo fica em segundo plano”, explicou.

Ele citou que muitos profissionais acabam prestando serviços para empresas de fora ou deixando o Estado por falta de estrutura, incentivo e oportunidades locais.

“A gente tem uma comunidade muito bem organizada, muita gente querendo fazer jogos, mas existe esse problema. Às vezes o talento está aqui, mas acaba desenvolvendo para outros estados. Outros lugares estão crescendo porque têm acesso, têm política pública, têm estrutura e espaços específicos para o desenvolvimento de jogos”, afirmou.

Maurício defendeu que Campo Grande avance em políticas de base para apoiar o setor, como incubadoras, espaços de criação, acesso a equipamentos, laboratórios, editais, bolsas, formação técnica e aproximação com escolas e universidades.

“A gente precisa começar a dar base, com políticas públicas que incentivem essa galera que está sendo formada em jogos. Muitos sabem desenvolver, mas precisam sobreviver, ou acabam saindo do Estado. O poder público pode ajudar com incubadora, espaço, acesso a equipamento, crédito, financiamento, mercado e comunidade”, destacou.

Cultura geek e games

O encontro também dialoga com outra agenda recente do vereador. No início do mês, Landmark participou da ExpoGeek no IFMS, evento que reuniu estudantes, cosplayers, criadores, artistas, jogadores, empreendedores e representantes da cultura pop em Campo Grande.

Na ocasião, o vereador destacou que a cultura geek deve ser vista como espaço de inovação, criatividade, juventude e oportunidades. Para Landmark, o debate com o Sebrae/MS e a Associação de Criadores de Jogos reforça que a cultura geek e o mercado gamer caminham juntos.

“A ExpoGeek mostrou que existe uma juventude produzindo, criando, empreendendo e buscando espaço. Agora, com essa reunião, fica ainda mais claro que os games não são uma brincadeira qualquer. São parte de uma cadeia econômica e cultural que precisa ser reconhecida e apoiada”, afirmou.

O vereador também destacou que pretende manter diálogo com o segmento para construir propostas que possam fortalecer o setor em Campo Grande.

“Nosso primeiro passo é ouvir quem entende, quem produz e quem vive esse mercado. A partir disso, queremos estudar formas de apoiar eventos, reconhecer os e-sports, incentivar a formação de jovens, dialogar com escolas, universidades, Sebrae, IFMS e empreendedores. O poder público precisa estar aberto para o futuro”, concluiu Landmark.

Mercado em expansão

Durante a reunião, os participantes destacaram que o mercado de games é hoje maior que a soma de setores tradicionais do audiovisual, com forte potencial de crescimento no Brasil. Também foi lembrado que o país é um grande consumidor de jogos e que o setor envolve diversas profissões, como programadores, artistas, ilustradores, roteiristas, designers, músicos, editores, animadores, profissionais de áudio, marketing e gestão.

Para os representantes do setor, o desafio é fazer com que Campo Grande e Mato Grosso do Sul deixem de ser apenas consumidores e passem a criar, desenvolver e exportar jogos, gerando renda e mantendo talentos no Estado.

Landmark afirmou que o mandato seguirá acompanhando a pauta.

“Esse é um tema novo para muita gente, mas já é realidade para milhares de jovens. Campo Grande precisa olhar para os games como cultura, como economia e como oportunidade. Vamos seguir dialogando para transformar essa conversa em ação concreta”, finalizou.

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