A luta por um transporte digno em Campo Grande

O projeto Ar no Busão foi apenas uma parte de uma batalha muito maior por respeito aos usuários, trabalhadores e ao futuro do transporte coletivo de Campo Grande.

Quando assumiu seu primeiro mandato, Landmark encontrou um dos maiores problemas enfrentados diariamente pela população de Campo Grande: o transporte coletivo.

Ônibus antigos, superlotação, calor extremo, atrasos constantes e um sistema desacreditado faziam parte da rotina de milhares de trabalhadores.

Em vez de limitar sua atuação às críticas, o vereador decidiu transformar o tema em uma das principais bandeiras do mandato.

A história abaixo mostra como essa atuação evoluiu ao longo do tempo.

Durante anos, reclamar do transporte coletivo virou parte da rotina dos campo-grandenses. Ônibus superlotados, atrasos frequentes, veículos antigos e viagens desconfortáveis eram problemas conhecidos por quem dependia do sistema para trabalhar, estudar ou acessar serviços públicos. Mas, em março de 2025, essa percepção ganhou números.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ranking Brasil revelou que oito em cada dez usuários classificavam o transporte coletivo como ruim ou péssimo. Mais do que um levantamento estatístico, o estudo mostrou que a insatisfação havia deixado de ser individual para se tornar um sentimento coletivo.

Na Câmara Municipal, aquele resultado reforçou a necessidade de tratar o transporte como uma das prioridades do mandato. A partir dali, duas frentes passaram a caminhar juntas: apoiar a criação da CPI do Transporte e construir propostas capazes de melhorar, de forma concreta, a vida dos passageiros.

Foi nesse contexto que começou a nascer uma ideia que marcaria toda essa trajetória: o Ar no Busão.

🚌 → Entenda a insatisfação

Criticar um problema é importante. Encontrar caminhos para solucioná-lo é ainda mais.

Enquanto a CPI iniciava seus trabalhos para investigar o sistema de transporte coletivo, o gabinete passou a construir uma proposta que atacava uma das reclamações mais recorrentes dos passageiros: o calor dentro dos ônibus.

O projeto “Ar no Busão” nasceu depois de ouvir usuários, estudar experiências de outras cidades e dialogar com especialistas e representantes do próprio Consórcio Guaicurus.

A ideia era simples: garantir que os novos ônibus incorporados à frota já fossem entregues equipados com ar-condicionado.

Em uma cidade que frequentemente registra temperaturas superiores aos 35 °C, a climatização deixava de ser vista como luxo para ser tratada como questão de saúde, conforto e dignidade.

O debate estava apenas começando.

🚌 → Veja a criação do projeto Ar no Busão

Poucos meses depois de ser apresentado, o projeto chegou ao plenário da Câmara Municipal.

Antes da votação, foram realizadas reuniões técnicas, ajustes jurídicos e conversas com diferentes setores envolvidos no transporte coletivo. O objetivo era construir um texto sólido e capaz de transformar uma reivindicação popular em lei.

O resultado foi expressivo.

O projeto foi aprovado por ampla maioria dos vereadores.

Pela primeira vez, Campo Grande aprovava uma proposta que determinava que os novos ônibus do sistema fossem adquiridos com ar-condicionado.

Para milhares de usuários, aquela votação representava a esperança de que o transporte coletivo finalmente começasse a mudar.

Mas a maior batalha ainda estava por vir.

🚌 → Primeira vitória

A aprovação do projeto gerou expectativa entre os passageiros.

Entretanto, poucas semanas depois, a prefeita Adriane Lopes vetou integralmente a proposta.

A justificativa foi de ordem jurídica e financeira.

Na prática, o veto interrompia a transformação do projeto em lei.

A partir daquele momento, a estratégia mudou completamente.

O debate deixou de ser apenas técnico e passou a ser político.

Era preciso convencer vereadores, esclarecer dúvidas, responder aos argumentos apresentados pelo Executivo e demonstrar que até representantes do Consórcio reconheciam a viabilidade da climatização.

O Ar no Busão deixava de ser apenas um projeto de lei.

Passava a simbolizar a disputa por um transporte coletivo mais digno.

🚌 → A prefeita veta

Durante semanas, o mandato percorreu gabinetes, dialogou com parlamentares e buscou construir os votos necessários para derrubar o veto.

A expectativa era grande.

Entretanto, quando a votação aconteceu, o veto foi mantido.

Politicamente, foi uma derrota.

Mas a discussão havia alcançado outro patamar.

O tema dominava o debate público, era defendido por usuários do transporte coletivo e já fazia parte da agenda política da cidade.

Ainda naquela sessão ficou definido que a proposta voltaria à Câmara em um novo momento.

O projeto não terminava ali.

Apenas iniciava uma nova etapa.

🚌 → Landmark anuncia que reapresentará o projeto

Enquanto o debate sobre a climatização seguia vivo, outro problema começou a se agravar.

Motoristas passaram a denunciar atrasos salariais.

Vieram paralisações.

Depois, a ameaça de greve.

A crise deixava de atingir apenas os passageiros.

Agora também comprometia quem mantinha o sistema funcionando todos os dias.

O mandato passou a cobrar explicações da Prefeitura e do Consórcio Guaicurus, encaminhando ofícios e defendendo maior transparência sobre os repasses financeiros.

A preocupação era clara: um transporte coletivo não pode funcionar quando seus próprios trabalhadores vivem em situação de insegurança.

🚌 → Quem paga a conta é o povo

🚌 → Risco de greve

🚌 → Começa o apagão

Em dezembro de 2025, a crise atingiu seu momento mais crítico.

Sem receber salários e benefícios, motoristas iniciaram uma greve que praticamente interrompeu o transporte coletivo da Capital.

Milhares de trabalhadores ficaram sem conseguir chegar ao emprego.

Estudantes tiveram a rotina interrompida.

A cidade viveu um verdadeiro apagão no transporte público.

Durante aqueles dias, o mandato acompanhou as negociações, defendeu o direito dos trabalhadores de receberem seus salários e participou das articulações conduzidas pela Câmara Municipal para encontrar uma solução.

A mediação permitiu destravar recursos que garantiram o pagamento dos funcionários e possibilitaram a retomada da circulação dos ônibus.

A crise terminou.

Mas deixou evidente que o sistema precisava de mudanças muito mais profundas.

🚌 → Landmark destaca articulação da Câmara que garantiu R$ 3,3 milhões para acabar com greve

Enquanto a cidade enfrentava sucessivas crises, a Comissão Parlamentar de Inquérito aprofundava a investigação sobre o transporte coletivo.

Ao longo de dezenas de oitivas e centenas de páginas de documentos, surgiram informações que ajudaram a explicar por que o sistema havia chegado àquele ponto.

Frota envelhecida.

Falta de investimentos.

Problemas de manutenção.

Falhas operacionais.

Dificuldades financeiras.

Ausência de fiscalização eficiente.

Muitas das reclamações apresentadas diariamente pelos usuários encontravam respaldo nos documentos analisados pela CPI.

Pouco tempo depois, a Prefeitura decretou intervenção no Consórcio Guaicurus.

A medida representava o reconhecimento oficial de que o transporte coletivo precisava passar por mudanças estruturais.

🚌 → Veja o resultado da CPI

Com a venda do Consórcio Guaicurus para um novo grupo empresarial, surgiu uma pergunta inevitável:

Trocar o proprietário seria suficiente para transformar o transporte coletivo?

Para quem utiliza ônibus todos os dias, a resposta sempre foi mais simples.

As pessoas não esperam apenas uma nova empresa.

Esperam ônibus melhores.

Mais segurança.

Mais pontualidade.

Mais conforto.

E, principalmente, respeito.

Nesse novo cenário, o Ar no Busão voltou ao centro das discussões.

Se haverá renovação da frota, por que não exigir que ela já venha climatizada?

A proposta apresentada ainda em 2025 voltava a dialogar diretamente com o futuro do transporte coletivo de Campo Grande.

🚌 O projeto ganha força

🚌 Landmark pede o fim do contrato

🚌 Empresa nova, mas desafio antigo

Ao longo dessa trajetória houve pesquisas, debates, projetos aprovados, vetos, greves, investigações, intervenção administrativa e mudança no controle do Consórcio.

Algumas batalhas foram vencidas.

Outras ainda aguardam um desfecho.

Mas uma convicção permaneceu a mesma desde o início: o transporte coletivo precisa colocar o usuário em primeiro lugar.

Essa página reúne apenas parte dessa caminhada.

Ela permanecerá sendo atualizada porque a história do transporte coletivo em Campo Grande ainda está em construção.

Enquanto houver trabalhadores enfrentando ônibus lotados, passageiros esperando por melhorias e oportunidades para transformar o sistema, continuará existindo espaço para fiscalização, diálogo e propostas.

A luta por um transporte público mais digno não termina em uma votação, em uma intervenção ou na troca de uma empresa.

Ela continua todos os dias, junto de quem depende do ônibus para viver.

Essa história ainda não terminou

Ao longo dessa trajetória houve vitórias, derrotas, vetos, greves, investigações e mudanças importantes.

Algumas propostas avançaram.

Outras encontraram resistência.

Mas uma convicção permaneceu inalterada durante todo o processo: o transporte coletivo precisa servir primeiro às pessoas.

A história do Ar no Busão tornou-se símbolo dessa luta.

Assim como a defesa dos trabalhadores durante as greves, a fiscalização da aplicação dos recursos públicos e a cobrança permanente por transparência.

O futuro do transporte coletivo ainda está sendo escrito.

E esta página continuará sendo atualizada sempre que um novo capítulo dessa história acontecer.

Rolar para cima