
A possibilidade de uma futura licitação do transporte coletivo de Campo Grande exigir ônibus com ar-condicionado reforça uma pauta apresentada pelo vereador Landmark Rios (PT) desde 2025, seu primeiro ano de mandato.
Autor do projeto conhecido como “Ar no Busão”, Landmark defende que a climatização faça parte da renovação da frota e das exigências impostas às empresas responsáveis pelo serviço. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal no ano passado, mas acabou vetada pela prefeita Adriane Lopes.
Mesmo após a manutenção do veto, o vereador não abandonou a pauta. Logo no início de 2026, o projeto foi reapresentado, mantendo a defesa de veículos climatizados para quem utiliza diariamente o transporte coletivo da Capital.
Agora, após a intervenção no Consórcio Guaicurus, a ideia voltou ao centro da discussão. O diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos, Paulo da Silva, afirmou que uma eventual nova licitação poderá prever 100% da frota com ar-condicionado e a adoção de veículos movidos a gás ou biogás.
Para Landmark, a declaração mostra que o “Ar no Busão” sempre tratou de uma necessidade concreta dos passageiros.
“Quando apresentamos o projeto, em 2025, nossa preocupação era com quem enfrenta o calor dentro de ônibus lotados, muitas vezes depois de passar o dia inteiro trabalhando. Agora, a própria agência reguladora admite que uma nova frota pode ser totalmente climatizada. Isso mostra que a proposta é possível e precisa fazer parte do futuro do transporte de Campo Grande”, afirmou.
O que prevê o “Ar no Busão”
O projeto de Landmark foi construído para que a climatização acompanhe a renovação dos veículos, evitando que novos ônibus entrem em circulação sem oferecer condições mínimas de conforto térmico.
A proposta também busca garantir que os equipamentos sejam efetivamente utilizados e recebam manutenção, para que o ar-condicionado não exista apenas no papel ou permaneça desligado durante as viagens.
“Não basta comprar ônibus com o equipamento instalado. É preciso garantir que funcione, que tenha manutenção e que a empresa cumpra as regras. O passageiro paga caro pela tarifa e tem direito a um serviço digno”, destacou Landmark.
O vereador argumenta que Campo Grande registra temperaturas elevadas durante grande parte do ano e que a falta de climatização torna ainda mais desgastante a rotina de trabalhadores, estudantes, idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde.
Justiça também discute climatização
A pauta ganhou força também no Judiciário. Um pedido apresentado em ação popular solicita que o Município elabore um plano de climatização da frota e inclua a instalação de ar-condicionado entre as metas estruturais para a melhoria do sistema.
O documento sustenta que as altas temperaturas enfrentadas na Capital tornam o transporte sem climatização incompatível com a dignidade dos usuários.
Para Landmark, a discussão judicial e a manifestação da Agereg demonstram que a cidade precisa aproveitar o período de intervenção para rever as regras do transporte coletivo.
“A intervenção não pode servir apenas para trocar quem administra o Consórcio ou analisar documentos. Ela precisa resultar em mudanças percebidas por quem espera no ponto e entra no ônibus todos os dias. A climatização é uma dessas mudanças”, disse.
Intervenção pode abrir caminho para nova licitação
A intervenção no Consórcio Guaicurus terá duração prevista de 180 dias. Durante esse período, a equipe nomeada pelo Município deverá analisar a situação financeira da concessionária, as condições dos ônibus e o cumprimento das obrigações previstas no contrato.
Caso a Prefeitura decida pela caducidade do contrato, será necessária uma nova licitação. A Agereg defende que o Estudo Técnico Preliminar seja iniciado antes do fim da intervenção, para que o Município esteja preparado para substituir a empresa responsável pelo serviço.
Landmark afirma que acompanhará esse processo e defenderá a inclusão da climatização nas regras de qualquer novo contrato.
“Se houver uma nova licitação, o ar-condicionado precisa estar entre as exigências. O projeto já foi reapresentado e vamos acompanhar cada etapa, fiscalizar os estudos e insistir para que essa pauta seja incorporada ao novo modelo”, afirmou.
Atuação pelo transporte coletivo
O “Ar no Busão” integra uma atuação mais ampla de Landmark em defesa dos usuários. O vereador foi um dos primeiros parlamentares a assinar o pedido de criação da CPI do Consórcio Guaicurus, que investigou as condições da frota, a qualidade do serviço, as finanças do sistema e o cumprimento do contrato.
O relatório final da CPI recomendou a intervenção e a renovação dos veículos antigos, medidas que passaram a fazer parte do debate sobre o futuro do transporte coletivo.
Antes de assumir o mandato, Landmark também participou da mobilização estudantil pela meia-passagem em Campo Grande.
Segundo o vereador, a renovação do sistema precisa reunir climatização, acessibilidade, pontualidade, segurança e transparência.
“O Ar no Busão começou como uma proposta do mandato, mas representa uma demanda de milhares de usuários. Se a nova frota vier climatizada, será uma conquista importante dessa luta. Vamos continuar acompanhando e pressionando para que essa possibilidade se transforme em realidade”, concluiu.



