‘Campo Grande não pode pagar sozinha essa conta’, diz Landmark ao cobrar revisão de repasses do Estado

Vereador durante audiência pública. Foto: Pedro Roque
Vereador durante audiência pública. Foto: Pedro Roque

Durante audiência pública de prestação de contas da Secretaria Municipal de Fazenda, realizada nesta sexta-feira (29) na Câmara Municipal de Campo Grande, o vereador Landmark Rios (PT) cobrou revisão nos repasses estaduais destinados à Capital e alertou para os impactos do congelamento do ICMS sobre serviços essenciais, principalmente na saúde pública.

O parlamentar questionou diretamente o secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, sobre a política fiscal relacionada aos repasses estaduais e o impacto disso nas finanças da Capital.

“O congelamento do ICMS aqui dentro de Campo Grande, qual gestão a prefeitura e a secretaria têm feito junto ao governador? Cadê o dinheiro do FunderSul? Todos os dias eu acordo com produtores rurais com carro atolado, problemas nas estradas e alunos perdendo aula porque o ônibus não consegue chegar”, afirmou Landmark.

Durante a audiência, o vereador também destacou que Campo Grande sofre forte pressão financeira por concentrar o atendimento de saúde de praticamente todo Mato Grosso do Sul.

“Os prefeitos pegam os pacientes, colocam numa van, alugam uma casa aqui e transferem o problema para Campo Grande. Nós somos a Capital e precisamos recepcionar todos, mas o Governo do Estado está olhando Campo Grande com um olhar diferente?”, questionou.

Segundo o parlamentar, a situação impacta diretamente hospitais, leitos, unidades de saúde e o financiamento do SUS na Capital.

“Hoje temos hospitais lotados, UPAs cheias, leitos ocupados e uma pressão enorme sobre a saúde pública. Por isso precisamos discutir o financiamento de Campo Grande de forma séria”, declarou.

O secretário Isaac José de Araújo reconheceu dificuldades relacionadas aos repasses estaduais e confirmou que a prefeitura busca rever os índices atuais.

“O governo do Estado modificou a fórmula de cálculo e nós temos sido achatados na nossa cota do ICMS. Temos buscado assessorias para rever esses índices”, afirmou o secretário.

Isaac também admitiu que o valor do repasse do ICMS praticamente permaneceu estagnado em comparação ao ano passado.

“Quando eu vi o valor idêntico ao do ano passado, também estranhei. Isso só se justifica por uma redução de arrecadação do Estado”, disse.

Durante a audiência, Landmark também relembrou agenda articulada pelo mandato junto ao deputado federal Vander Loubet (PT), que garantiu reunião técnica entre o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília.

“Foi uma provocação que fiz ao mandato do deputado Vander. O Marcelo levou toda a demanda da saúde de Campo Grande para melhorar o MAC e ampliar o financiamento da saúde pública da Capital”, destacou.

O parlamentar afirmou que seguirá cobrando investimentos do Governo Federal e do Governo do Estado para atender a realidade da Capital.

“Campo Grande não pode pagar sozinha essa conta. Todo mundo vem buscar voto aqui, mas na hora de discutir financiamento, a Capital acaba ficando sobrecarregada”, afirmou.

A audiência pública apresentou dados do primeiro quadrimestre de 2026. Segundo a Secretaria Municipal de Fazenda, a receita do município cresceu 4,32%, alcançando R$ 1,28 bilhão no período.

Também participaram da audiência os vereadores Otávio Trad, Luiza Ribeiro, Ronilço Guerreiro, Maicon Nogueira e demais parlamentares da Câmara Municipal.

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