
Durante audiência pública de prestação de contas da Secretaria Municipal de Fazenda, realizada nesta sexta-feira (29) na Câmara Municipal de Campo Grande, o vereador Landmark Rios (PT) alertou para os impactos da crise fiscal sobre áreas como habitação, saúde e valorização dos servidores públicos.
Em sua fala, o parlamentar destacou preocupação com o crescimento do comprometimento da folha salarial do município, a falta de investimentos estruturais e a dificuldade de ampliar políticas públicas em áreas essenciais.
“Hoje nós temos mais de 5 mil servidores do município recebendo um salário mínimo. Muitas vezes precisam fazer plantão, hora extra, para conseguir sobreviver”, afirmou Landmark.
O vereador também chamou atenção para o crescimento vegetativo da folha de pagamento da Prefeitura, que atualmente já compromete 53,9% da Receita Corrente Líquida do município, acima do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
“A folha cresce naturalmente por conta dos direitos dos servidores. E aí fica aquele cobertor curto: cobre a cabeça e descobre o pé”, disse.
Durante a audiência, o secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, confirmou que os gastos com pessoal seguem pressionando o orçamento da Capital.
“As despesas vegetativas sobem normalmente mesmo com todo empenho nosso. Tenho buscado equilíbrio entre receita e despesa, mas não é fácil”, declarou.
O secretário explicou ainda que reajustes concedidos à educação e o crescimento natural da folha impactaram diretamente os índices fiscais do município.
“A folha da educação representa quase 50% da folha total. Então qualquer reajuste impacta todo o conjunto”, afirmou.
Além da situação dos servidores, Landmark voltou a defender investimentos permanentes em habitação popular, ressaltando o crescimento das comunidades e ocupações urbanas em Campo Grande.
“Nós temos mais de 220 comunidades e ocupações que precisam de moradia. São milhares de famílias esperando uma casa própria e pagando aluguel”, afirmou.
O vereador também relembrou o projeto defendido pelo mandato que prevê a destinação de 1% do orçamento municipal para políticas habitacionais.
“Quando a gente fala de habitação, nós temos que colocar dinheiro no orçamento. Não adianta só discutir o problema sem criar investimento permanente para resolver”, declarou.
Segundo Landmark, a política habitacional precisa ser tratada como prioridade estrutural dentro da construção do orçamento municipal.
“O debate do orçamento é um debate político. E Campo Grande não pode ficar fora desse debate”, afirmou.
Durante a audiência pública, também foram apresentados dados sobre arrecadação, saúde, educação e despesas do município. A receita da Capital cresceu 4,32% nos primeiros quatro meses de 2026, chegando a R$ 1,28 bilhão.
Também participaram da audiência os vereadores Otávio Trad, Luiza Ribeiro, Ronilço Guerreiro, Maicon Nogueira e demais parlamentares da Câmara Municipal.



