Landmark reforça posição contra proposta de terceirização da saúde que deve ser votada em urgência nesta quinta

Landmark durante fiscalização em unidade de saúde da Capital. Foto: Pedro Roque
Landmark durante fiscalização em unidade de saúde da Capital. Foto: Pedro Roque

Com previsão de votação em regime de urgência na sessão desta quinta-feira (30), o projeto que propõe a terceirização de unidades de saúde em Campo Grande reacende o debate na Câmara Municipal. O vereador Landmark Rios (PT) voltou a se posicionar contra a proposta e alertou para os riscos de mudança no modelo de gestão, em meio a denúncias e investigações envolvendo a área da saúde.

Segundo o parlamentar, o tema vem sendo acompanhado há mais de um mês, desde que foi apresentado ao Conselho Municipal de Saúde pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela. Desde então, Landmark tem se manifestado de forma contrária à proposta.

“O problema não é o SUS, é a gestão”

Ao longo das últimas semanas, o vereador participou de audiência pública sobre o tema, visitou unidades de saúde da Capital e conversou com servidores e usuários do SUS para entender os impactos da medida.

Para ele, a terceirização não resolve o problema central.“O problema não é o SUS. O problema é gestão. Não adianta mudar o modelo sem corrigir o que está errado na forma como os recursos estão sendo administrados”, afirmou.

O posicionamento do vereador também se baseia em um conjunto de fatos recentes que colocam a gestão da saúde sob questionamento.

Em 2025, denúncias sobre possíveis irregularidades envolvendo cerca de R$ 156 milhões da saúde municipal foram levadas à Câmara pelo Conselho Municipal de Saúde, com apoio do mandato de Landmark. Na ocasião, o vereador encaminhou ofícios ao Executivo e solicitou investigação ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), que confirmou a abertura de auditoria.

Mais recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) passou a investigar indícios dessas irregularidades, ampliando o alcance das apurações.

Outro fator que reforça a preocupação é o relatório apresentado pelo Conselho Municipal de Saúde na última quarta-feira (29), que aponta indícios de diversas irregularidades na execução do contrato da empresa Produserv, responsável por serviços de limpeza e manutenção nas unidades de saúde.

O documento relata problemas como falta de trabalhadores, falhas na prestação dos serviços e denúncias trabalhistas, levantando dúvidas sobre a eficiência do modelo terceirizado já existente.

Para Landmark, o caso serve como alerta. “Quando já existem indícios de problemas em contratos terceirizados, é preciso ter muita responsabilidade antes de ampliar esse modelo. O risco é piorar o atendimento à população”, destacou.

Debate ganha urgência na Câmara

A possibilidade de votação em regime de urgência também foi criticada pelo vereador, que defende maior debate com a sociedade e com os trabalhadores da saúde. “O que está sendo discutido aqui impacta diretamente a vida de quem depende do SUS todos os dias. Isso precisa ser debatido com responsabilidade, ouvindo quem está na ponta”, afirmou.

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