Landmark se junta ao PT em ação na Justiça contra lei que proíbe mulheres trans em banheiros femininos

Comunidade LGBTQIA+ se manifestou contra lei na câmara. Foto: Pedro Roque
Comunidade LGBTQIA+ se manifestou contra lei na câmara. Foto: Pedro Roque

O vereador Landmark Rios (PT) ingressou como parte interessada em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra a Lei Municipal nº 7.615/2026, que restringe o uso de banheiros femininos a pessoas consideradas “biologicamente mulheres” em Campo Grande.

A ação foi protocolada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e questiona a constitucionalidade da norma, sob o argumento de que ela promove discriminação e viola princípios fundamentais como a dignidade da pessoa humana e a igualdade.

O ingresso do vereador ocorre na condição de amicus curiae, figura jurídica que permite a participação de terceiros interessados em ações de grande relevância social e institucional.

Além de Landmark, também manifestaram interesse em participar da ação outros parlamentares do Partido dos Trabalhadores, entre eles a deputada federal Camila Jara, os deputados estaduais Zeca do PT, Pedro Kemp e Gleice Jane, bem como os vereadores Luiza Ribeiro e Jean Ferreira.

A lei municipal, de autoria do vereador André Salineiro (PL), estabelece critérios baseados no chamado “sexo biológico” para a aplicação de políticas públicas e, entre outros pontos, determina a restrição do uso de banheiros femininos exclusivamente a mulheres biológicas.

Segundo a ação apresentada pelo partido, embora a norma seja apresentada como medida de proteção, ela acaba, na prática, criando barreiras e promovendo exclusão de mulheres trans em espaços públicos.

O documento sustenta que a medida contraria dispositivos da Constituição Estadual e da Constituição Federal, especialmente no que diz respeito à vedação de qualquer forma de discriminação e à proteção da dignidade da pessoa humana.

Partido aponta violação de direitos fundamentais

Na ação, o PT argumenta que a legislação ignora o reconhecimento jurídico da identidade de gênero e impõe uma diferenciação considerada incompatível com o ordenamento constitucional brasileiro.

Entre os fundamentos apresentados estão decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecem a identidade de gênero como parte essencial da personalidade humana e vedam práticas discriminatórias.

A legenda também sustenta que a norma ultrapassa os limites da competência legislativa municipal ao interferir diretamente na execução de políticas públicas e na organização administrativa do Executivo.

Durante a sessão da última terça-feira (28), movimentos sociais e representantes da comunidade LGBTQIA+ estiveram presentes no plenário, manifestando-se contra a lei. Os grupos criticaram a proposta, alegando que ela pode gerar situações de constrangimento e ampliar a discriminação no acesso a espaços públicos.

Ao comentar sua participação na ação, Landmark destacou que o tema exige responsabilidade e respeito aos direitos individuais. “A gente precisa tratar esse debate com seriedade e equilíbrio. Nenhuma política pública pode partir da exclusão ou do constrangimento de pessoas. O papel do poder público é garantir respeito, segurança e dignidade para todos”, afirmou.

O vereador também ressaltou a importância de o Judiciário analisar a constitucionalidade da norma diante do impacto social gerado.

Ação busca suspensão da lei

Na ADI, o partido pede a concessão de medida liminar para suspender imediatamente os efeitos da lei, além da declaração de inconstitucionalidade dos principais dispositivos.

A expectativa é que o Tribunal de Justiça analise o pedido nos próximos dias, diante da relevância jurídica e social do tema.

O caso deve aprofundar o debate sobre os limites da atuação legislativa municipal e a garantia de direitos fundamentais em Campo Grande.

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