
Trabalhadores, lideranças sindicais e movimentos sociais realizaram na manhã deste sábado (23) uma mobilização no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho, em Campo Grande, em defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho no Brasil.
O ato contou com a participação do vereador Landmark Rios (PT), além de representantes da Central Única dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul (CUT-MS), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada de Mato Grosso do Sul (Sinticop-MS) e trabalhadores de diferentes categorias.
Com faixas defendendo “mais horas para viver”, os participantes criticaram parlamentares ligados à extrema-direita que têm atuado contra propostas de redução da jornada de trabalho e ampliação dos direitos trabalhistas.
Durante a manifestação, trabalhadores relataram o desgaste físico e emocional provocado pela escala atual, defendendo mais tempo para convivência familiar, descanso e qualidade de vida.
“É puxado. A gente trabalha seis por um e acaba pagando o sábado durante a semana. Se mudasse para uma escala melhor, teria mais tempo para a família, para descansar, para viver também”, afirmou Ademilson Pereira, de 56 anos, funcionário da indústria.
“O trabalhador não pode viver só para trabalhar”
Para o presidente do Sinticop-MS, Walter Vieira, o debate sobre a redução da jornada enfrenta resistência histórica de setores empresariais preocupados apenas com lucro.
“O capital sempre vai tentar manter seus interesses. Toda vez que surge uma pauta para melhorar a vida do trabalhador aparece esse discurso de que vai quebrar o comércio ou a indústria. Mas isso nunca se confirma”, afirmou.
Segundo ele, experiências internacionais já demonstram que jornadas mais equilibradas aumentam produtividade e qualidade de vida.
“Um trabalhador com mais tempo de descanso e convivência social produz mais e trabalha melhor”, completou.
Já o presidente da CUT-MS, Vilson Gregório, afirmou que parte do Congresso Nacional atua para impedir avanços nos direitos trabalhistas.
“Quando surge uma pauta voltada para o trabalhador, o papel deles é dificultar. A direita não trabalha em favor do trabalhador, trabalha em favor do patrão”, declarou.
Vilson também criticou declarações recentes de representantes empresariais comparando trabalhadores a animais de produção.
“Isso mostra como parte do empresariado enxerga o trabalhador, apenas como lucro. Não pensam na saúde mental, na família e na qualidade de vida das pessoas”, disse.
Landmark critica deputados contrários ao fim da escala 6×1

Durante o ato, Landmark criticou deputados federais que apresentaram propostas para ampliar a carga horária semanal e adiar o debate sobre a redução da jornada.
“Esses deputados não têm compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Estão tentando jogar essa discussão para daqui dez anos enquanto milhões de pessoas seguem adoecendo com jornadas exaustivas”, afirmou o vereador.
O parlamentar também rebateu o argumento de que a redução da jornada prejudicaria o comércio e a indústria.
“O trabalhador mais motivado, com mais disposição e qualidade de vida produz mais. O trabalhador não pode ser tratado como máquina”, declarou.



