Nasceu em um dia, comprou o Consórcio no outro: venda do Guaicurus levanta dúvidas em Campo Grande

A venda do Consórcio Guaicurus para um grupo empresarial de Goiás abriu um novo capítulo no transporte coletivo de Campo Grande. A negociação, no entanto, chamou atenção por um detalhe: a empresa responsável pela compra, Maas Administração e Participações Ltda., foi criada no dia 16 de julho, apenas dois dias antes da assinatura do contrato de compra e venda, ocorrida em 18 de julho. Além disso, a empresa foi registrada com capital social de R$ 10 mil.

A Maas é uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) vinculada ao Grupo HP, que atua no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia. Esse tipo de empresa é utilizado para estruturar operações de aquisição e, por si só, não representa necessariamente a capacidade financeira do grupo controlador. Ainda assim, o curto intervalo entre sua criação e a assinatura do negócio despertou questionamentos sobre a operação.

Apesar da assinatura do contrato, a venda ainda não está concluída. Como o transporte coletivo é um serviço concedido pelo Município, a transferência do controle depende da aprovação da Prefeitura de Campo Grande. A administração municipal informou que só dará anuência após analisar a capacidade técnica e financeira da nova controladora e exigir um cronograma de investimentos para melhorar a qualidade do serviço.

Para o vereador Landmark Rios, mais importante do que a troca de comando é garantir que os usuários finalmente sintam melhorias no dia a dia. “Não basta mudar o dono da empresa. Quem utiliza o transporte coletivo quer ônibus novos, mais conforto, mais qualidade e respeito ao passageiro”, defende.

Nesse sentido, o parlamentar reforça a necessidade de implantar o projeto Ar no Busão, de sua autoria, que prevê a climatização da frota de transporte coletivo. A proposta nasceu para garantir mais conforto térmico aos milhares de campo-grandenses que dependem diariamente dos ônibus, especialmente durante os períodos de calor intenso. Com a possível renovação da frota, Landmark defende que os novos veículos já sejam entregues com ar-condicionado, transformando a mudança de gestão em uma oportunidade para modernizar de fato o transporte público da Capital e colocar o usuário em primeiro lugar.

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