
A ocupação de uma área na região do Porto Seco, em Campo Grande, reacendeu o debate sobre o uso de espaços públicos abandonados na Capital. Na segunda-feira (20), o vereador Landmark Rios (PT) esteve no local, na saída para Sidrolândia, acompanhando as negociações entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e as forças de segurança.
A mobilização reuniu mais de 200 famílias que reivindicam acesso à terra para produção. Após diálogo, a desocupação ocorreu de forma pacífica, sem registro de conflito. Durante a agenda, Landmark defendeu que áreas públicas sem utilização precisam cumprir sua função social, especialmente diante do déficit habitacional e da demanda por terra.
“Terra tem que cumprir o seu papel social. Há quantos anos essa área está abandonada? Olha o tanto de investimento público que tem aqui. É dinheiro do povo. Nós não podemos permitir isso”, afirmou.
Segundo Douglas Cavalheiro da Silva, da Direção Estadual do MST, o grupo ocupou o local em busca de espaço para criação de um cinturão verde. “A gente quer um espaço pra plantar verdura e vender na cidade”, destacou.
Estrutura pronta, mas sem uso
O espaço ocupado integra o projeto do terminal intermodal, conhecido como Porto Seco, uma obra que já recebeu mais de R$ 30 milhões em investimentos públicos, com área de aproximadamente 65 hectares.
No local, foram implantadas estruturas como 7 quilômetros de vias internas asfaltadas, pátio para cerca de 290 carretas, 2,3 quilômetros de ramal ferroviário, redes de água e esgoto e acesso direto ao macroanel.
Apesar da estrutura pronta desde 2020, o terminal nunca entrou em operação, devido à falta de funcionamento da malha ferroviária.
Diante desse cenário, o vereador defendeu que, caso não haja perspectiva concreta de utilização da área para sua finalidade original, o espaço seja destinado a políticas públicas.
“Se não há interesse ou capacidade de fazer esse projeto funcionar, que essa área seja destinada para uso social. Tem famílias que precisam de moradia, tem gente querendo produzir. Não dá pra manter um espaço desse tamanho abandonado”, pontuou.
Luta por moradia e regularização
A atuação do vereador se conecta com a garantia de moradia digna e a regularização de áreas ocupadas, pautas que ele vem defendendo desde o início do mandato.
Desde a audiência das favelas, realizada em novembro do ano passado, Landmark tem atuado na defesa das comunidades e na busca por políticas públicas estruturadas.
O parlamentar também é autor de um projeto que prevê a destinação de 1% da Receita Corrente Líquida do município para habitação popular, com o objetivo de criar uma fonte permanente de investimento na área.



